Nyah! Fanfiction
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Mausoléu escrita por Aiko Hosokawa
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Capítulo 6
Motivos

     






Aviso



(1) - Vou colocar essa e explicação aqui para quando você ler a piada idiota que fiz compreendê-la de imediato.

“Trilha Sonora de Psicose”: Para quem não sabe “Psicose” é um dos maiores clássicos do terror/ suspense. A música em questão é aquele “Tam... Tam... Tam” agudo que toca na cena em que aparece o assassino com uma faca na mão indo matar uma garota, o que, diga-se de passagem, rendeu uma das mais famosas cenas do cinema.



Diminuir o tamanho da fonte Diminuir o tamanho da fonte

Kai acabara de deixar seu amigo Ruki com o curioso rapaz que usava uma faixa sobre o nariz e agora se dirigia ao bar, para ajudar Uruha. Apesar do grande número de pessoas ao redor, não teve dificuldade de atravessar a pista de dança, em seguida entrando no corredor que dava acesso ao outro ambiente, reparando alguns casais que conversavam intimamente ou se beijavam junto à parede e então, finalmente chegou a seu destino.

Os olhos cor de ébano miraram o local... Havia muita gente. Em algumas mesas, a fumaça característica do cigarro subia odorífera, dando ao local já escurecido um ar um pouco mais nebuloso, no entanto, a conversa alta e animada, misturada ao som da música que vinha do outro salão fazia tudo ficar mais acolhedor.

“Onde está o Uru?”. O moreno se perguntou em pensamento, olhando ao redor, procurando pelo amigo, porémo loiro não estava em nenhum lugar que sua visão pudesse alcançar, por isso resolveu caminhar até o bar... Poderia ser que Takashima estivesse lá dentro, abaixado, fazendo alguma coisa.

Rapidamente chegou ao local desejado, abrindo a pequena porta e a transcendendo, vendo que o local estava deserto. Yutaka novamente deixou o olhar correr por todo o recinto, mas nada de encontrar o amigo.

“O que será que aconteceu?”

. Perguntou-se ainda em pensamentos, contudo, não teve tempo para supor algo, pois um grupo de pessoas em uma determinada mesa, o estava chamando.

Uke pegou o bloco de papel e a caneta, rapidamente deixando o local onde estava, indo ao encontro dos clientes, atendendo-os educadamente, ouvindo uma pequena reclamação pela demora, voltando ao bar, pegando as bebidas pedidas e logo as entregando ao grupo.

“Mais uma vez, desculpe a demora.”. Kai falou, sorrindo simpaticamente.

“Só perdôo porque o seu sorriso é lindo! É impossível negar algo a um sorriso desses.”. Disse uma jovem de madeixas negras e curtas, de belos olhos azuis.

“Obrigado! Com licença.”. Respondeu educadamente, afastando-se em seguida.

O moreno atendeu mais alguns pedidos e retornou ao balcão. Só havia um cliente ali, segurando uma garrafa de uísque e um copo de bebida, com um ar derrotado, seguramente bêbado...

“Aquelas duas garrafas tem menos da metade, não vão dar para a noite toda, é melhor ir lá embaixo buscar...”. Yutaka pensou, reparando nos dois objetos dentro do bar.

E ainda tinha Uruha... Precisava encontrar o amigo, pois já estava ficando preocupado com aquela ausência. Um suave suspiro escapou dos lábios do moreno, a primeira coisa a fazer era dar a volta, entrar no bar e verificar se realmente não havia mais daquelas bebidas, no entanto, sentiu mãos suaves lhe tocando a cintura, enquanto uma respiração se fez presente muito próximo a seu ouvido direito.

“Senti saudade, Kai-chan...”. Uma voz masculina soou no ouvido do moreno, um arrepio subiu por sua coluna e por mais absurdo que fosse, havia reconhecido aquela voz!

“Miyavi!”. Exclamou surpreso ao mesmo tempo em que se virava e se desvencilhava do toque.

“Também sentiu a minha falta, Kai-chan?”. O recém-chegado indagou com um sorriso divertido nos lábios.

“Pára de me chamar assim!”. Yutaka rosnou tentando passar irritação, mas se sentindo encabulado com o apelido.

“Então... ‘Meu anjo’, sentiu saudades?”. Novamente falou no mesmo tom descontraído, mas ainda assim soando sedutora.

Kai apertou os dedos na bandeja que trazia, enquanto um misto de raiva e vergonha lhe subia as faces, lhe fazendo corar levemente.

“Humm... Você coradinho é tão fofo, dá até vontade de morder, sabia?”. O mais alto falou, deixando a voz ser modulada em um tom rouco, sensual e levemente divertido.

“Eu já disse para parar!!”. Kai falou um pouco mais alto do que o normal, em seguida passou por Miyavi, dando a volta e entrando no bar.

O imortal acompanhou o humano, nunca deixando de fitá-lo, ouvindo o ruidoso som da bandeja sendo colocada na parte de dentro do balcão, demonstrando a irritação do outro jovem.

Uke respirou fundo, com o olhar baixo, deixando um suspiro lhe escapar.

“Eu mexo muito com você, não é, Kai-chan?”. O rapaz mais alto perguntou, sentando-se no banco diante do outro, apoiando o cotovelo direito na bancada de granito e o queixo sobre a mão direita, ainda portando um sorriso nos lábios.

“Pára de me chamar desse modo ridículo! Pára de me importunar!”. Declarou nervoso, o mais baixo.

“Não sinto convicção nas suas palavras...”. Sibilou Miyavi, ficando um pouco mais sério.

“Não sente? Isso é... Ridículo! O que preciso falar para que você se convença de que eu não quero nada com você?”. Quis saber Kai, ainda aborrecido.

“Eu até paro, se...”. O imortal disse, agora sem vestígios do sorriso em seus lábios.

Kai fixou seu olhar no outro, aquele ‘se’ e a breve pausa que o seguiu não lhe estava cheirando bem.

“... Se disser, olhando nos meus olhos, que não gostou do meu beijo, que não gostou do meu corpo junto ao seu e que não deseja que eu te agarre novamente. Só isso.”. Declarou simplista e sem cinismo da voz.

Uma onda de furor subiu pela face de Yutaka enquanto ouvia aquelas palavras.

“Olha aqui seu narcisista...!”. Disse, entre os dentes, erguendo o indicador direito e apontando para o nariz do outro, no entanto, não encontrava os termos para expressar os sentimentos que bailavam dentro de si.

“Fala... Olha para mim e fala.”. Miyavi sussurrou, inclinando-se sobre o balcão, aproximando-se do outro moreno.

“Ora! Tenho mais o que fazer!”. Kai declarou desviando o olhar, pegando o bloco de papel e a caneta, indo à direção a alguns clientes que o chamava.

Miyavi sorriu debochadamente quando o outro se afastou com ar de superioridade, e manteve seu olhar fixo no moreno que atendia os clientes simpaticamente, servindo-os em seguida, e o mesmo aconteceu com mais algumas mesas.

Kai estava muito incomodado com aquela situação. Sabia que o outro o estava seguindo com o olhar a cada movimento que realizava, entretanto o que mais lhe perturbava não era aquilo... Mas sim sua incapacidade de dizer aquelas palavras a Miyavi.

“Afinal, o que deu em mim?”.

Perguntava-se mentalmente depois ter terminado de servir uma determinada mesa, já voltando para o bar.

Na verdade, não havia parado para pensar sobre aquele beijo. Ocupara sua mente com coisas mais práticas referente ao pub e à sua nova vida, contudo, ouvir o mais alto falando daquele modo despertou sentimentos estranhos em si... Não era capaz de afirmar que não gostara do toque, mas relutava em aceitar que havia gostado...

“Pensando em mim, suponho...”. Miyavi afirmou, divertido.

Kai se sobressaltou e olhou ao redor, notando que já estava dentro do bar e nem se percebera entrando ali de tão envolto em seus pensamentos.

“Acho que acertei!”. Exclamou, satisfeito, o jovem debruçado sobre o balcão.

“Metido!”. Kai rosnou, cruzando os braços, desviando um irritado olhar.

“Aahh... Se continuar me provocando dessa maneira eu pulo aí e te agarro... De novo.”. Brincou o mais alto.

“Não ouse!”. Sibilou entre os dentes, semi-cerrando os olhos, guiando-os na direção do outro moreno.

“Claro que não... A menos que você queira, claro!”. Miyavi disse simplista e sorridente.

“Eu só quero saber o que você deseja de mim!”. Kai declarou, pousando as mãos no balcão, se inclinando um pouco para frente.

Em um movimento rápido, o jovem mais alto segurou a mão direita do outro, se inclinado mais para frente, levando a mão livre para a nuca de Uke, sentido os fios macios das madeixas negras, aproximando as faces.

“...!”. Yutaka prendeu a respiração, enquanto seu olhar se fixava nos orbes negros do outro e, por mais que sua mente gritasse para se afastar, seu corpo simplesmente não era capaz de se mover.

“A resposta é óbvia. Você! É isso o que eu quero.”. Miyavi afirmou com convicção e seriedade aproximando, lentamente, os lábios.

Uke sentia o coração disparado, sua respiração também já não estava normal, somente conseguia pensar no jovem diante de si, que chegava cada vez mais perto, perigosamente perto...

Uma sensação gostosa bailava no corpo do imortal. Era um calor agradável que lhe aquecia de um modo quase esquecido por seu ser e aquilo provinha do humano diante de si, do qual sentia o hálito quente e perfumado vindo dos lábios entreabertos, que lhe convidavam de forma pecaminosa.

“Mas você não pode ter!”. Kai exclamou, afastando-se abruptamente do outro.

“Aahh...”. Murmurou inconformado o imortal, deixando o rosto pender para frente, recostando a testa na bancada fria.

Kai apenas olhou brevemente para o outro e, rapidamente, deixou aquele local, indo direto para o corredor à esquerda, entrando no banheiro masculino, percebendo que havia apenas duas pessoas ali. Foi direto para um dos reservados, fechando a porta atrás de si, encostando-se a ela.

Por que estava deixando as coisas seguirem aquele rumo? Devia ter dito a Miyavi que não gostou do beijo, era tão simples! Assim, talvez o moreno parasse de lhe perseguir. Não gostava daquilo, se sentia como uma garotinha indefesa diante de um homem mais velho e mais forte. Só era necessária uma mentira...

“Merda...”. Murmurou, antes de pousar os dedos da mão direita sobre os lábios.

Não conseguir negar, nem para si mesmo, que havia adorado o beijo... A sensação do corpo maior junto ao seu, aquelas mãos fortes lhe apertando com um desejo inegável, aquela língua curiosa que veio lhe explorar tão impudicamente...

“Não posso ficar aqui...”. Pensou, se lembrando que Uruha não estava no bar.

O moreno então saiu do reservado, vendo que o banheiro agora estava vazio. Foi até a pia de granito escuro, rapidamente ligando a torneira, colocando ambas as mãos em forma de concha para pegar o líquido e se inclinou, lavando o rosto, sentindo a refrescância... Então novamente se ergueu abrindo os olhos, se deparando com o espelho diante de si e, nele, dois reflexos... O próprio e o de Miyavi, parado atrás de si, com uma expressão séria da face.

“Mal o conheço e já acho que essa cara não combina com ele...”.

Foi a primeira coisa que veio a mente de Uke.

“Por que foge tanto de mim?”. O jovem mais alto indagou, olhando para o reflexo da face do outro.

“Estou interessado em outra pessoa.”. Kai afirmou, colocando as mãos sobre a pia.

“Mas também está interessado em mim, eu sinto.”. Miyavi argumentou.

Yutaka apenas riu baixinho e esticou a mão para pegar papel-toalha, começando a secá-las, girando sobre os calcanhares para encarar o mais alto, depois de ter jogado o papel no lixo.

“...!”. Miyavi nada disse, apenas encarou o jovem, esperando algum argumento mais decente.

“A pergunta correta é: Por que você não pára de me perseguir? Você nem me conhece, só me viu duas vezes!”. O humano declarou com firmeza, com o olhar fixo dos orbes escuros diante de si.

“Apenas um vislumbre... Isso é o suficiente para seres como eu...”. O mais alto declarou, aproximando-se.

Kai recuou, sem desviar o olhar, sentindo a temperatura fria da pia ao tocá-la.

“... Porque eu vejo sua alma...”. Miyavi disse tocando, com a mão direita, a maçã da face de Kai.

Por um ínfimo instante, Uke suspendeu a respiração, guiando as mãos para a jaqueta que o mais alto usava, apertando o tecido entre seus dedos sem ser capaz de repelir ou puxá-lo para si.

“... E ela é tão radiante! Seu sorriso é apenas um pálido reflexo dessa luz.”. O imortal disse em um sussurro calmo e fascinado, enquanto seus dedos deslizavam sobre a pele quente e macia, e seus lábios se aproximavam langorosamente da boca bonita diante de si.

“...!”. Yutaka não era capaz de desviar o olhar, por mais que tentasse as palavras não saiam, não conseguia raciocinar claramente, apenas se fixava no outro jovem, completamente hipnotizado pelas esferas negras de brilho predador que se aproximava mais a cada segundo.

“Deixe-me ser aquecido por seu calor...”. Miyavi sibilou ainda em tom calmo, deixando seus dedos deslizarem para o pescoço alvo, enquanto sua própria face tocava a do menor e fechava seus olhos, deixando a mão livre na cintura de Kai.

Um arrepio gostoso subiu pela coluna do humano, e junto com ele veio um calor calmo e agradável, que o obrigou a também fechar seus orbes, entregando-se ao sentimento que surgia.

“Ilumine as minhas trevas...”. Sussurrou o imortal, vendo o jovem diante de si completamente envolvido e, lentamente, moveu-se, postando seus lábios sobre os do menor, mordiscando levemente o inferior, esperando uma rejeição que não veio e, então, uniu as bocas, calmamente.

Kai se permitiu envolver o corpo maior com seus braços, colando os corpos, e deu passagem para a língua quente e úmida, recebendo-a com a própria em uma carícia calma, quase lânguida, em um serpentear sensual, entorpecido pelas sensações ímpar.

O mais alto afundou os dedos da mão direita na nuca do parceiro, enquanto a outra mão apertava a cintura esguia e seus lábios sugavam o suave sabor que provinha daquela boca, transmitindo para todo seu corpo uma vivacidade agradável, porém precisava de mais e, por isso, intensificou o beijo, dando a ele um ritmo mais forte e sensual.

“Huumm...”. Um pequeno gemido escapou de Kai, ainda em meio à carícia, e apenas foi capaz de apertar os dedos no dorso do mais alto e corresponder com o ardor que lhe foi imposto.

Miyavi se deliciava com o pequeno em seus braços. Kai possuía um sabor único e parecia transmitir toda a intensidade de sua alma naquele toque... Poderia continuar a beijá-lo pela eternidade, no entanto, sabia que não possuía todo esse tempo e começou a diminuir o ritmo, gradualmente.

“Hhuumm... Você é delicioso!”. Ronronou o imortal sem se afastar, apenas reabrindo seus olhos e novamente mordiscando o lábio inferior de Yutaka.

Kai ainda estava mergulhado na sensação torpe que o invadira, não conseguindo lutar contra a verdade que lhe tomava naquele momento... Adorava sentir o toque do mais alto, aquelas mãos fortes lhe apertando... A boca deliciosa junto a sua... Apenas conseguia se deixar levar quando estava com o outro moreno e tudo era maravilhoso demais para se negar.

Um sorriso de satisfação se desenhou nos lábios do imortal enquanto apreciava a bela face de olhos fechados diante de si. Aquele humano lhe cativara de um modo inédito em toda sua existência... Desejava, acima de tudo, poder usufruir daquela figura enquanto lhe fosse permitido e, delicadamente, deixou seus dedos tocarem a face esquerda do menor.

“...!”. Yutaka suspirou levemente e em seguida reabriu seus orbes, olhando um pouco para cima a fim de mergulhar na imensidão negra dos olhos do ser diante de si e, novamente, se sentiu incapaz de pronunciar sequer uma palavra ou de se mover.

“O nosso próximo beijo, Kai-chan... Só acontecerá quando você pedir.”. Murmurou suavemente, enquanto acariciava os lábios do humano.

Um forte calor subiu às faces de Uke, um misto de emoções lhe invadiu avassaladoramente e, em movimentos rápidos, retirou as mãos do dorso de Miyavi, usando a esquerda para repelir o afago que recebia e em seguida empurrou o outro apenas o suficiente para poder se afastar.

“...!”. O ser da noite se deixou afastar com descontentamento, uma expressão interrogativa na face.

“Seu egocêntrico filho de uma...”. Kai rosnou irritadíssimo, sentindo as bochechas queimando de vergonha e raiva.

“Hei! Mais respeito com minha falecida mãe... O que te deu, hein?”. O mais alto perguntou, confuso.

“O que me deu?! Seu desgraçado! Espera sentado o dia que te pedirei um beijo! Seu egocêntrico!”. Esbravejou o mais baixo, tentando conter o tom de sua voz, andando de um lado para o outro como um animal acuado.

“Não é egocentrismo!”. Miyavi argumentou.

“Então o quê é?”. Kai perguntou quase em um grito, parando de se mover e encarando o outro, com uma expressão de fúria na face.

“Um prova, apenas isso.”. Respondeu simplista.

“Prova? De quê?”. Uke indagou ainda exasperado, mas um pouco mais contido.

“De que você me aceitou, que não me beija só porque eu te agarro e beijo bem.”. O imortal explicou, calmamente.

“Egocêntrico é pouco para você!”. Kai disse, apertando os dentes e os punhos na tentativa de conter sua raiva.

“Aahh, Kaiê, não faz essa carinha de bravinho, eu não resisto! Ela só não é mais fofa que seu sorriso de covinhas.”. Falou Miyavi quase manhosamente, se aproximando do humano.

“Não chega perto!”. O mais baixo ordenou, afastando-se.

Um pequeno risinho escapou dos lábios do imortal. Estava adorando aquele joguinho.

“Tenho mais o que fazer...”. Kai murmurou irritado, caminhando em direção a porta, se lembrando que tinha um bar para cuidar.

“Não vai se livrar tão fácil de mim, docinho...”. Miyavi falou, indo atrás.

Kai lançou um olhar ameaçador, porém não se deu ao trabalho de argumentar. Pelo pouco que conhecia do outro, aquilo seria absolutamente inútil.

O vampiro sorriu safadamente, acompanhando o humano na saída do local. A seu ver, tudo estava correndo muitíssimo bem e logo teria Kai apenas para si...

oooOOOooo

No subsolo do Mausoléu...

A luz artificial iluminava dois corpos nus, um deitado sobre uma mesa de madeira, mantendo seus orbes fechados, respirando pesadamente, enquanto o suor ainda brotava dos poros de sua cútis e suas pernas mantinham preso o outro ser de negras madeixas que estava curvado sobre si com os lábios junto ao pescoço alvo, revelando seus dentes caninos compridos e afiados, e seus olhos abertos deixavam ver o impetuoso... Quase cruel, escarlate que permeava a íris e pupila.

Aoi sentia o calor do corpo mortal junto ao seu, ouvindo aquele coração poderoso rufando ferozmente, fazendo o precioso líquido rubro se espalhar com mais vivacidade por cada parte do jovem sob si e o perfume da luxúria que vinha daquele ser era deliciosamente inebriante, aumentando sua ânsia a cada instante...

Aquela artéria pulsava no mesmo compasso feroz que o seduzia e o fazia tremer somente ao imaginar todo aquele sangue quente adentrando-lhe a boca... Descendo por sua garganta... Alimentando sua alma imortal.

Aahh... Ele é perfeito!”. O moreno pôde ouvir o pensamento do loiro.

Daria àquele mortal uma morte sublime. Ele iria ser tomado por um deleite tão intenso que nem ao menos notaria a vida deixando seu corpo, gota a gota, no entanto, estava ali... Parado, seus dentes a milímetros da fonte da qual pretendia beber, e ainda assim hesitava!

Aquele humano lhe transmitia algo peculiar, enigmático e envolvente. Uma sensação que há muito não despertava em si parecia ressurgir quando aquele loiro estava perto, em seus braços... O que poderia ser aquilo? Ele desejava a resposta, simplesmente não poderia continuar na ignorância. Precisava saber qual o diferencial daquele simples e frágil mortal, conhecê-lo de uma forma muito mais íntima e completa do que qualquer uma de suas vítimas anteriores...

“Huumm...”. Uruha gemeu em deleite ao sentir uma sensual lambida subindo por seu pescoço, provocando arrepios gostosos em seu corpo.

O loiro estava completamente mergulhado no intenso prazer que ainda percorria suas veias e, junto a ele, uma dose extra de adrenalina se fazia presente, aumentando seu contentamento, não conseguindo crer que havia feito àquela loucura... Aquela deliciosa loucura.

“Você é uma tentação...”. Aoi murmurou no ouvido do parceiro, mordendo-lhe o lóbulo levemente e uma pequena risada escapou dos lábios de Uruha.

“Olha quem fala...”. Respondeu em tom levemente abafado e risonho, somente então reabrindo seus orbes, fitando momentaneamente o teto para, em seguida, se voltar para o moreno.

“Não entendi...”. O imortal disse, não fazendo questão de ler os pensamentos do outro. Certas coisas eram bem melhores quando ditas em voz alta...

“Entendeu sim!”. Kouyou protestou, sentindo as bochechas corarem.

“Eu? Não senhor.”. Negou, fazendo sua melhor expressão de inocência, mas não suportando sustentá-la por mais do que alguns segundos, e se permitiu sorrir de forma safada e divertida.

“Seu desgraçado...”. Uruha praguejou erguendo o tronco, ao mesmo tempo em que levava a mão esquerda para a nuca do moreno.

“...!”. Aoi riu baixinho, fixando o olhar no do humano, recuando um pouco, apenas o suficiente para dar espaço para o outro.

“Vem aqui, na hora do meu serviço, me seduz dessa maneira e ainda fica brincando comigo!”.

Murmurou, aproximando os lábios.

“Como se você não estivesse gostando...”. Argumentou Aoi, deixando suas mãos apertarem as coxas roliças dele.

“Adorei...”. Respondeu em tom baixo, sorrindo levemente, aproximando mais os lábios.

O belo vampiro fixou seu olhar na boca sedutora e bem delineada que se aproximava, ansiando tomá-la mais uma vez, para sentir o sabor daquele jovem que tanto lhe instigava e intrigava.

O loiro não conseguia compreender a si mesmo, suas atitudes, o modo como se deixara levar, mas simplesmente não conseguia evitar a atração que o mais baixo exercia sobre si. Era irrefutável, e se entregaria a ele quantas vezes lhe fosse permitido, no entanto...

“Meu Deus!”. Kouyou exclamou, se afastando do parceiro com uma expressão preocupada na face.

“O quê? Fui promovido à ‘deus’ tão rápido?”. Quis saber o moreno, em tom, a princípio, apenas curioso, mas transparecendo diversão nas últimas palavras.

“Não, seu bobo... O Kai!”. Uruha falou, ao mesmo tempo preocupado e sorrindo.

“O que tem ele?”. Aoi indagou agora em tom normal.

“Simples. Ele vai me matar!”. Exclamou convicto, empurrando levemente o outro. Embora não desejasse realmente sair dali, não tinha outra opção.

“Aquele moreno não me parece o tipo de pessoa que faria uma coisa dessas...”. Declarou o imortal afastando-se mais, finalmente deixando o interior quente daquele corpo, sentindo um estranho frio.

Uruha teve que morder o lábio inferior para conter um gemido quando se sentiu sendo abandonado.

“Não se engane com aquele sorriso de covinhas...”. O loiro disse, saindo de cima da mesa.

“Verdade, já vivi o suficiente para saber que não se deve deixar enganar pelas aparências...”. Disse, mais para si, o vampiro.

“Nossa, falou como se fosse um velho...”. Uruha estranhou e brincou, mas não conseguiu deixar de reparar no tom melancólico daquelas palavras e no estranho brilho que surgiu nos olhos negros do outro.

“Foi só modo de falar... É melhor você se vestir, eu não me responsabilizo por meus atos se continuar tendo essa visão...”. Aoi desviou do assunto com naturalidade.

Uruha sorriu discretamente e logo começou a recolher suas roupas que estavam espalhadas, juntando também as do moreno e entregando a este.

“Vou me limpar no banheiro.”. O loiro declarou, caminhando em direção a uma porta que havia naquela sala.

“Tudo bem.”. O imortal disse com um meio sorriso nos lábios.

Kouyou entrou no reservado, agradecendo mentalmente por haver um naquele local. Foi direto à pia, ligando-a e começando a se limpar, em seguida se secando com papel e, logo já estava se vestindo, tomando o cuidado de deixar a roupa e as madeixas bem alinhadas.

“Melhor do que isso não fica!”. Pensou ao arrumar alguns fios mel. Poderia ser impressão sua, mas parecia estampado em sua face o que acabara de acontecer, parecia que qualquer um que o olhasse saberia o que havia ocorrido...

“Esse sorrisinho idiota não ajuda.”. Disse para si, ainda em pensamento, tentando ficar sério, porém sem muito sucesso. Mesmo que seus lábios não se curvassem, tinha a sensação de estar sorrindo da maneira mais explícita possível.

O loiro deu uma última olhada em seu reflexo no espelho. Sem dúvidas a parte mais complicada seria se deparar com Kai logo na porta... A possibilidade de ser visto saindo com o moreno era altíssima e, sem dúvidas, geraria uma situação constrangedora.

“Será que ele ainda está aí fora?”. O pensamento aflorou na mente do jovem. Não era ingênuo a ponto de ficar imaginando um conto de fadas, em que ele e Aoi se apaixonariam e viveriam felizes, juntos, para todo o sempre, mas também não queria se deparar com uma sala vazia. Sem dúvidas a sensação de ser um mero objeto nasceria e não seria nada agradável.

“Não adianta ficar só imaginando...”. Murmurou, deixando seus dedos deslizarem sobre a maçaneta, fazendo-a girar, destravando a porta, empurrando-a em ritmo normal, mas, devido a sua apreensão, o movimento parecia extremamente lento...

Então, finalmente, pôde ver...

E lá estava ele, o belo moreno, lindamente trajado com uma calça cinza-escuro, quase preto, com uma camisa de manga comprida, branca, de gola larga revelando parte do peito clarinho, e, por cima de tudo, o casaco negro e comprido indo até o meio das coxas e que possuía o mais puro tom rubro na parte interior. Aoi estava perfeitamente alinhado, como se nada tivesse acontecido. Até mesmo os cabelos, com alguns de seus fios revoltos, parecia nunca ter sido despenteado e foi impossível ao humano conter seu largo sorriso de satisfação e alívio.

Um estranho estremecimento transpassou a coluna do imortal, que permanecia sério, recostado à mesa onde possuiu o jovem mais alto. O sorriso que acabara de receber possuía aquele sentimento estranho que emanava de Uruha e aquilo lhe tocava e despertava um calor calmo em seu peito.

“Demorou, loiro.”. Aoi comentou, descruzando os braços.

“Estava tentando ficar como se nada tivesse acontecido, mas acho que não tive tanto sucesso quanto você.”. Comentou em resposta, aproximando-se do moreno.

“Pra mim, você está perfeito.”. Disse o vampiro, em tom sensual, erguendo o braço direito pegando o outro pela cintura e o puxando para si, colocando os corpos de modo erótico.

“Acho que está estampado na minha testa o que aconteceu...”. Falou ao mesmo tempo em que circulava com seus braços o pescoço do outro.

“Isso é bom, assim todo mundo vai morrer de inveja de mim...”. Aoi brincou, mordiscando o queixo do mortal.

“E o Kai vai me matar...”. Murmurou Uruha, sorrindo pelo comentário e, com seus lábios, procurou os do moreno, dando início a um beijo repleto de lânguida luxúria.

O ser da noite estava ficando cada vez mais inebriado com o sabor de seu humano, um desejo quase incontrolável despertava a cada carícia que trocavam, queria mais de Uruha, senti-lo de modo único. Embora não compreendesse bem esse anseio, ele se manifestava na intensidade que esperava e começava a impor ao beijo.

“Humm...”. Um pequeno gemido escapou dos lábios do mortal quando, usando de toda sua força de vontade, interrompeu o beijo.

“Vem...”. Aoi convidou sensualmente, com o rosto ainda muito próximo ao do parceiro, puxando-o para si de forma insinuante.

“Eu adoraria, mas preciso mesmo ir.”. Kouyou afirmou, postando a mão direita no peito do moreno, afastando-se um pouco.

“...!”. Aoi mordeu o lábio inferior, contrariado, mas libertou o loiro.

“Sinto muito...”. Uruha declarou a mais pura verdade, afinal, tudo o que mais gostaria, no momento, era poder ficar com aquele ser que exalava uma enigmática sensualidade.

“Tudo bem, por agora te deixo ir.”. Afirmou divertido e sensual, o moreno.

Uruha sorriu e caminhou em direção à saída daquela sala, sendo acompanhado por Aoi, que logo abriu a porta, colocando apenas a cabeça para o lado de fora, só para ter certeza de que não havia ninguém ali.

“Eu disse que tranquei a porta...”. Aoi declarou, terminando de abrir a passagem e saindo para o corredor.

“Ah... Verdade.”. Sussurrou mais para si, saindo também.

Uruha olhou para o fim do corredor, onde havia sido imprensado pelo moreno e, no chão, estavam às garrafas que havia ido buscar para o bar. Àquela altura, as bebidas já haviam acabado e Kai provavelmente havia tentado entrar no depósito e se deparou com uma porta trancada.

“O Kai-chan vai me matar”. Uruha pensou, libertando um suspiro conformado.

“Acho melhor eu ir na frente, vejo se está tudo bem para você sair.”. O imortal se pronunciou, reparando nas feições do outro.

“Muito obrigado! Só vou pegar as garrafas...”. Respondeu com satisfação, embora soubesse que era apenas uma solução paliativa. Cedo ou tarde Uke iria querer satisfações.

Aoi apenas sorriu de volta, vendo o outro caminhar rapidamente até alcançar as garrafas e as pegar, vindo novamente em sua direção, e novamente se perdeu naquele jovem. Cada simples movimento parecia diferente de tudo o que já havia visto, ainda assim lhe transmitia uma sensação de terna familiaridade que simplesmente não conseguia compreender!

Kouyou alcançou o moreno e, juntos, começaram as subir as escadarias. Apenas os passos ressoavam, acompanhados pela música que parecia vir de longe, enquanto o loiro tentava, desesperadamente, encontrar uma boa explicação para dar ao amigo que estaria do lado de fora.

O imortal destrancou a porta, abrindo-a apenas um pouco e se voltou para trás, com um sorriso nos lábios.

“...!”. Uruha franziu o cenho, intrigado.

“Deu sorte, loiro, seu amigo não está aqui.”. Declarou o menor com satisfação.

“Impossível... O Kai não deixaria o bar sozinho...”. Kouyou disse incrédulo, não sabendo se ria, devido a sua sorte, ou se devia se preocupar com a ausência do amigo.

“Então veja...”. Aoi respondeu abrindo completamente a porta e se recostando à parede, dando passagem ao humano.

Ainda em dúvida, Uruha subiu os últimos degraus que faltavam e transpôs a porta, deparando-se com um bar repleto de pessoas, mas nenhuma delas era Yutaka.

Aoi saiu logo em seguida, passando pelo loiro, parando próximo a ele.

“O que será que aconteceu?”. Takashima murmurou, agora realmente preocupado.

“Ah, ele só foi ao banheiro, já está voltando.”. Comentou em tom casual e automático.

“Como você pode ter tanta certeza?”. Uruha perguntou, curioso.

“É o mais óbvio, não? Vou para uma das mesas antes que ele volte.”. Aoi disse simplista, fugindo do assunto, se repreendendo internamente por ter dito aquilo com tanta convicção, já se afastando do loiro.

“Verdade... Tudo bem.”. Uruha concordou.

O loiro então voltou para o bar e abriu a pequena porta na lateral do balcão, entrando no local, reparando nas garrafas quase vazias. Elas haviam sido mexidas, sem dúvidas, e novamente lhe veio à mente a possibilidade de Kai ter tentado ir buscá-las no depósito, sem sucesso, no entanto, essa linha de raciocínio foi rompida quando o amigo entrou em seu campo de visão, passando pelo portal ogival, portando uma expressão, no mínimo, assustadora.

“Ele vai me matar!”. Uruha pensou, pousando as garrafas sobre o balcão diante de si, sentindo um frio congelante no estômago ao mesmo tempo em que tinha a nítida sensação de estar ouvindo a trilha sonora de “Psicose” em sua mente. (1)

Yutaka estava extremamente sério, parecia irritadíssimo! Inclusive seu andar parecia pesado, muito diferente de seus costumeiros modos, que sempre carregavam uma alegria despreocupada.

“Tô ferrado!”. Kouyou pensou, quase se encolhendo para se esconder.

Kai pisava duro, não dava a mínima para o que estava ao seu redor, na verdade, nem ao menos via o que estava a sua volta. Tudo o que permeava a sua mente era o que acabara de acontecer no banheiro. Como Miyavi ousava seduzi-lo daquela maneira e depois ainda dizer que o próximo beijo teria que ser pedido?! Aquilo era absolutamente revoltante! Quando deu por si, já estava abrindo a pequena porta e entrando no bar. Somente então ergueu seu olhar e notou a presença de Uruha naquele local, olhando-lhe com uma expressão assombrada.

A vontade de se esconder cresceu no peito do jovem de belas madeixas mel quando aqueles olhos irados recaíram sobre si.

“Onde você estava?”. A pergunta saiu seca e repentina dos lábios de Uke.

“Fui ao depósito pegar essas bebidas...”. Uruha respondeu quase em um murmúrio, acuado, apontando para as garrafas.

“Ahh... Eu vi que as que estavam aqui realmente estavam acabando...”. Kai respondeu agora em um tom aéreo, indo em direção ao balcão.

Uruha quase vocalizou um ‘como assim você engoliu essa?’ que lhe veio à mente e precisou se conter bravamente. Ao mesmo tempo um alívio gigante tomava conta de seu coração e face, no entanto, sabia, havia algo errado. Era nítido ao olhar para o moreno diante de si e foi impossível conter sua preocupação.

“Kai-chan...”. Uruha murmurou se aproximando do outro, querendo ajudar.

O moreno guiou seu olhar para o outro ao ser chamado, esperando o que quer que fosse ser dito.

“Hei! Pode ser ou tá difícil? Eu e meus amigos queremos ser servidos!”. Um homem disse irritadamente já no balcão, diante da dupla, surpreendendo-os.

“Desculpe-nos. Já estou indo.”. Yutaka respondeu prontamente, pegando o caderninho para anotar os pedidos.

Uruha procurou com os olhos outro bloquinho para também ir anotar os pedidos.

“Você fica aqui para preparar as bebidas, vai agilizar as coisas.”. Ainda era Uke quem falava, já se afastando.

“Ok.”. Concordou, deixando aquela conversa para um momento mais oportuno.

Uruha aproveitou para procurar, com o olhar, o moreno que lhe possuíra. Reparou que o outro estava sentado sozinho em uma mesa próxima às janelas e, era impossível negar, adorou o olhar que lhe era lançado! Aquela cena ficaria definitivamente em sua memória, pois, emoldurado pelos vitrais que transpareciam tons azulados devido à iluminação exterior, Aoi parecia um deus em meio aos simples mortais que o cercava.

“Ele é tão sexy!”. Devaneou.

No entanto, algo incomodou Kouyou e desviou seu olhar, correndo-o por todo o local, e teve a nítida sensação de que vários pares de olhos caíam sobre si, todos repleto de malícia, como se seus donos soubessem de tudo o que havia acontecido há pouco.

“É só impressão minha...”. Pensou, sem conseguir conter o constrangimento.

A chegada de Kai com os primeiros pedidos aliviou o loiro. Trabalhar desviava sua mente, na medida do possível, de tudo o que havia acontecido. Somente não conseguia deixar de imaginar o motivo de o amigo estar daquele modo e, conforme o tempo ia passando, Uruha começou a notar que o moreno ia a uma dada mesa várias vezes.

O lugar em questão estava ocupado por um único homem, de aparência extravagante e despreocupada. Foi impossível deixar de reparar no olhar que esse jovem lançava à Kai. Ao mesmo tempo em que era sedutor, continha também certo deboche que intrigava o loiro e o mais engraçado era que todos os copos pedidos pelo jovem voltavam cheios, mas logo depois do objeto ter sido retirado de sua mesa, ele chamava por Uke mais uma vez.

Kai estava prestes a perder o único fio de paciência que lhe restava. Já havia contado dez idas à mesa de Miyavi! A partir da quarta, quando o moreno mais alto, como nas outras vezes, lhe pediu sugestão do que beber passou a levar só o que havia de mais caro na tentativa de se ver livre, porém não adiantou e novamente estava indo ao encontro do rapaz mais alto, que mantinha na face aquele sorriso cínico que tanto lhe irritava.

“Pois não, senhor, o que vai querer?”. Yutaka disse, gelidamente formal.

“Que você deixe esse orgulho de lado e admita que está interessado em mim.”. Respondeu em tom simples Miyavi, apoiando o cotovelo direito sobre a mesa e o queixo nessa mão.

Uke apertou o maxilar, tentando conter a raiva, e respirou fundo, vendo o sorriso do outro se alargar.

“O que o senhor quer para beber?”. O moreno novamente perguntou, não conseguindo conter o tom de irritação em sua voz.

“Você... Escolhe. Agora só depende de você.”. Disse o mais alto, em tom sério, desapoiando o queixo e se recostando à cadeira, guiando o penetrante olhar ao jovem diante de si.

Kai entreabriu os lábios no intuito de dizer alguma coisa, mas as palavras lhe faltaram por longos instantes, nos quais mergulhou na imensidão negra e profunda dos orbes do outro, fazendo-o se sentir estranhamente aquecido e reconfortado, mas voltou a si quando os lábios do mais alto novamente se curvaram em um sorriso safado.

“Já trago o seu pedido, senhor...”. Yutaka declarou já se afastando.

“Não tenho pressa, estarei esperando.”. Miyavi afirmou em seu habitual tom divertido.

Uke achou por bem ignorar o comentário e seguiu seu caminho, voltando rapidamente ao bar, mal conseguindo crer que realmente estava envolto naquela situação inusitada. Ser assediado não era nenhuma novidade, mas daquela maneira tão direta e forte era inédito e ainda havia Nao... Um jovem extremamente belo com ares suaves que lhe transmitia uma inigualável sensação de bem-estar e afabilidade. Por mais que mal o conhecesse, tinha certeza de que o rapaz era um possível companheiro com o qual adoraria passar o máximo de tempo possível...

“Aahhff...”. Um suspiro cansado deixou os lábios do moreno, ao mesmo tempo em que depositava a bandeja, contendo alguns copos, sobre o balcão.

“Kai...?”. Uruha falou para chamar a atenção do amigo.

“Hai.”. Respondeu ainda desanimado, guiando seu olhar para o outro.

“O que está acontecendo?”. O loiro indagou preocupado.

“Nada demais, só um pequeno problema...”. Yutaka declarou, forçando um sorriso para tentar convencer o mais alto.

“Yuk-kun, ele tem algo em torno de um metro e oitenta e cinco. Não é, exatamente, o que eu chamaria de ‘pequeno’...”. Kouyou murmurou guiando um rápido olhar ao moreno em questão e voltando ao jovem diante de si.

De imediato, Uke sentiu as bochechas queimando de constrangimento. Até Uruha, distraído nato, percebeu as investidas de Miyavi... Era simplesmente impossível se manter impassível.

“Tá tão na cara assim?”. O mais baixo perguntou, ainda sem graça.

“Mesmo um cego teria percebido... Dá pra sentir só no modo que ele te olha.”. Takashima afirmou sem dúvidas na voz.

Kai sentiu a face queimando ainda mais intensamente e o pequeno sorriso de deboche nos lábios do loiro apenas o irritou mais.

“Como se aquele outro lá te olhasse de modo diferente!”. Uke atacou, sem piedade, meneando rapidamente a cabeça em direção ao moreno sentado junto à janela que olhava na direção da dupla.

“I-Isso não vem ao caso... Não estamos falando de mim.”. Uruha retrucou, sentindo as faces corarem.

Yutaka respirou fundo, reparando no constrangimento que causara ao outro.

“As coisas aqui estão caminhando de um modo estranho...”. O moreno falou agora em tom brando e conformado.

“Tenho que concordar...”. O outro declarou também com conformismo expresso na voz.

“Outra dose daquele uísque...”. Kai pediu mudando de assunto.

Uruha pegou a bebida logo em seguida serviu uma dose.

“Pelo menos o faturamento da noite vai ser garantido graças ao seu amigo...”. O loiro brincou.

“Tenho que tirar alguma vantagem...”. Yutaka disse libertando, um risinho quase maldoso se desenhado em seus lábios ao mesmo tempo em que pegava a bandeja.

Os amigos se entreolharam com cumplicidade mútua e sorriram um ao outro. Em seguida Kai girou sobre os calcanhares e seguiu rumo ao cliente que o esperava, enquanto Uruha começava pôr em ordem algumas garrafas e copos do lado de dentro do balcão.

oooOOOooo

Takanori Matsumoto estava deliciosamente envolto pela presença do jovem mais alto. Conversar com Reita lhe transmitia uma sensação agradabilíssima e ele sabia que poderia passar horas trocando idéias daquele modo tão... Íntimo.

Para o imortal, era difícil se conter quando estava perante o outro, pois algo o atraía fortemente para Ruki e tudo ia muito além do físico... Queria estar com o pequeno, do modo que estava naquele momento, mas não conseguia negar o desejo latente e intenso que havia dentro de si e que implorava para ser liberto...

E o tempo transcorreu sem que qualquer um da dupla notasse. Juntos, pareciam alheios a tudo o que ocorria ao redor. Não havia música alta, pessoas dançando... Eram apenas os dois e nada parecia capaz de penetrar naquela redoma que havia ao redor dos jovens...

Por um ínfimo instante, Ruki desviou o olhar do mais alto, guiando-o para a pista de dança, somente então notando algo e se surpreendeu, sendo obrigado a olhar o pulso direito, confirmando suas suspeitas.

“A noite já está acabando!”. Exclamou surpreso, novamente olhando para o número bem reduzido de pessoas que bailavam.

Reita acompanhou o olhar do menor, também se surpreendendo, tão envolto estava que nem ao menos notara que não havia se alimentado aquela noite. Com a mente localizou Aoi, pois ambos precisavam ir embora...

Matsumoto franziu o cenho, reparando o repentino afastamento do mais alto, achando aquilo estranhamente incômodo...

“Desculpa, mas tenho que ir...”. O jovem de madeixas claras e portando uma faixa sobre o nariz disse, voltando sua atenção para o menor.

“Mas ainda é tão cedo.”. Ruki protestou de pronto sem pensar em suas palavras ao mesmo tempo em que levava a mão direita em direção ao braço esquerdo de Reita, segurando levemente.

O imortal se surpreendeu com o gesto repentino. Mesmo que suave, o toque era terno e quente, no entanto, não durou mais dos que poucos instantes, pois um encabulado e levemente corado Takanori o desfez.

“Me desculpe...”. O loirinho murmurou desviando o olhar, sentindo as bochechas queimarem e se repreendendo internamente.

“Tudo bem, eu volto amanhã.”. Reita respondeu olhando para aquela bela face, se sentindo aquecido internamente, o que fez nascer em seus lábios um sorriso terno.

“Ah... Amanhã não abrimos.”. Informou o menor, voltando a encarar o outro, tentando controlar sua vergonha.

“Então você estará de folga?”. Indagou o imortal.

“Sim, todos nós estamos precisando!”. Ruki afirmou, se lembrando dos vários dias de agitação que precederam à reabertura do “Mausoléu”.

“Gostaria de sair comigo? Conheço lugares interessantes e creio que você não conhece nada ainda...”. Convidou, com gentileza.

“Seria muito bom! Realmente não tive tempo de ir a lugar algum.”. Respondeu Ruki, sentindo um calor gostoso no peito ao mesmo tempo em que um frio estranho bailava no estômago.

“Nos encontramos aqui às vinte horas?”. Reita propôs.

“Combinado!”. Disse, animadamente, o menor.

“Até amanhã, então.”. Reita se despediu, estendendo a mão direita.

“Até.”. Ruki falou, apertando a mão do outro.

E um calor gostoso fluiu do contato para ambos os seres, aquela amizade se mostrava cada vez mais promissora...

oooOOOooo

Kai acabara de se afastar do balcão sob o pretexto se recolher copos nas mesas já vazias, mas na verdade o fez para deixar Uruha conversar com o moreno de olhar sedutor que se aproximara. Pelo sorriso que viu desenhado nos lábios de Takashima, não tinha dúvidas, ele tinha um encontro na noite seguinte.

“Eu vou é me enfiar debaixo das cobertas, ver um bom filme e descansar...”. Planejava em pensamentos enquanto enchia a bandeja com vários copos, muitos deles ainda cheios.

O jovem olhou ao redor, o número de pessoas já havia diminuído bastante, mas o olhar de certo rapaz ainda recaía desconcertantemente sobre si e foi impossível conter um suspiro de consternação ao mesmo tempo em que viu o amigo Uruha novamente sozinho e resolveu retornar àquele local.

“Vou falar com o Tom para te ajudar aqui, tenho que fechar o caixa...”. Informou Uke depositando a bandeja sobre o balcão.

“Tudo bem.”. O loiro respondeu com um belo sorriso no rosto.

Kai sorriu. Realmente o amigo estava feliz e isso era muito bom! Então se afastou, percebendo que o pub estava se esvaziando rapidamente e, quando passou pela pista de dança, viu Ruki no equipamento de som, mexendo em algumas coisas.

“O senhor-sem-nariz deve ter ido embora junto com o amigo do Uruha...”. Deduziu em pensamento, passando direto, indo para a entrada do “Mausoléu”, onde encontrou o novo funcionário e deu-lhe instruções para que ajudasse Uruha. Em seguida começou a fazer seu serviço.

O moreno estava concentrado no que fazia, percebia quando as pessoas saíam, mas não prendia sua atenção ao fato. Os números da tela diante de si eram realmente animadores e estava completamente envolto por eles, até que sentiu a cadeira onde estava sentando ser movimentada por alguém e foi obrigado a girar junto ao móvel.

Quando parou, já pronto para proferir vários desaforos ao ser que lhe havia interrompido, se deparou com olhos brilhantes tingidos com o mais profundo tom de ébano, incrustados em uma face alva finamente delineada em cada traço másculo que já estava muito próxima a si, roubando-lhe qualquer possível reação. ximo a si, roubando-lhe qualquer poss em cada traço masculo or algueles at

“Vim me despedir, Kai-chan...”. Miyavi murmurou em tom levemente divertido, aproximando mais as faces, deixando seu hálito tocar o rosto do outro.

“...!”. Yutaka sentia o coração palpitando, não conseguia raciocinar direito, mas sabia que sua boca se abriu levemente, para dizer algo que não conseguia enquanto seus olhos de fixavam nos lábios finos curvados em um sorriso malicioso, adornado com aquele piercing.

“Vai sentir saudade, meu pequeno?”. O imortal perguntou em tom provocante, aproximando ainda mais as faces, fazendo seu nariz roçar levemente no do humano.

“...!”. Uke continuava incapaz de proferir sequer uma palavra, sua mente se turvava em um desejo insano de que aqueles lábios cobrissem os seus próprios e seu coração continuava a bater forte e aceleradamente, aquecendo o corpo esguio.

“Então...”. O mais alto murmurou, fazendo sua boca roçar levemente na do outro.

“...!”. Kai prendeu a respiração, já começando a fechar seus orbes.

“... Tenho que ir. Até mais, Kai-chan.”. Miyavi disse em tom simplista, se afastando de imediato, já saindo de dentro da ‘gaiola’.

Yutaka abriu os olhos, completamente incrédulo ao ver o moreno se afastar, um furor sem igual lhe dominou por completo e, em um rompante se ergueu indo atrás do outro, alcançando-o rapidamente e, em um gesto brusco, segurou-lhe o ombro, obrigando-o a parar, o virando para si.

“...?”. O vampiro se surpreendeu com o gesto. Esperava uma reação, mas não aquela!

“Seu desgraçado...!”. Kai rosnou entre os dentes nos poucos instantes que separaram os seus lábios dos do mais alto, pois puxou Miyavi para si, envolvendo-lhe o pescoço com ambos os braços, dando início a um intenso beijo.

O mais alto adorou a surpresa! O máximo que esperava eram algumas palavras de ofensa e não pestanejou em envolver a cintura esguia, colando os corpos, aprofundando a carícia, provando o delicioso sabor que aquele jovem possuía.

O beijo prosseguiu envolvente e forte. As línguas se entrelaçavam num serpentear impudico, ora mais intenso, ora mais lânguido, despertando ainda mais o desejo em ambos os seres, enquanto provocava lasciva cobiça nos passantes que deixavam o “Mausoléu” até que o humano, ansiando por melhor respirar, quebrou o contato e, ao abrir seus orbes, novamente mergulhou na imensidão negra dos olhos do outro enquanto ofegava levemente.

“...!”. Miyavi sorriu, dessa vez sem qualquer rastro de brincadeira. O fez por pura satisfação devido a atitude do jovem em seus braços, o que tornou seu sorriso ainda mais bonito.

“Eu não pedi...”. Kai murmurou, ainda mantendo as faces muito próximas e o imortal sorriu de pura diversão.

“Verdade, não pediu e nem precisava, meu pequeno...”. Declarou o ser da noite, beijando suavemente os lábios do outro.

“Pára de me chamar assim...”. Uke protestou se afastando do outro, se surpreendendo ao perceber que fôra erguido no momento do beijo e, ao voltar a seu patamar normal, tinha que admitir a triste verdade de ser bem mais baixo que Miyavi.

“Você fica tão fofo quando faz essa carinha de contrariado...”. O mais alto falou, levando as mãos ao pescoço de Kai, aproximando as faces, mordiscando-o na bochecha, onde se formava uma covinha quando o moreno sorria.

“Miyavi!”. Repreendeu Uke, sem conseguir conter o tom divertido de sua voz.

“Você bem que podia ter me agarrado mais cedo! Tenho mesmo que ir...”. Disse o vampiro, puxando Yutaka para junto de si, novamente colando os corpos e deixando seus dedos deslizarem pela face levemente arredondada e de traços delicados.

“Que pena...”. Kai deixou escapar em um murmúrio, quase sem perceber, enquanto fechava seus orbes.

“Sim, é uma pena...”. Também em um sussurro, falou o mais alto, apreciando aquele lindo e tão frágil rosto por um momento, para depois novamente aproximar as faces e unir os lábios, dando início a um beijo calmo, quase lânguido e muito sensual.

“Hum...”. Kai gemeu em meio ao contato, abraçando o outro com carinho, explorando e deixando-se ser explorado por longos instantes.

“Hum... Eu tenho mesmo que ir...”. Miyavi proferiu depois de interromper a carícia.

Kai respirou fundo.

“Tudo bem...”. Declarou, mordendo o lábio inferior e se afastando um pouco. Não conseguia compreender a si mesmo, seus pensamentos e sentimentos. Apenas sabia que queria ficar apenas um pouco mais ao lado daquele jovem tão peculiar.

“Não faz essa carinha... Eu também queria poder ficar.”. Afirmou o imortal, puxando o outro novamente para junto de si, unindo os lábios de maneira superficial, apenas por poucos segundos.

“Tudo bem mesmo... Você sabe onde me encontrar.”. Kai murmurou e deu um novo selinho nos lábios do moreno diante de si.

“E eu volto, afinal não vou te deixar escapar!”. Exclamou em tom divertido, deixando que o menor se afastasse.

“Percebi...”. Yutaka comentou, sorrindo sarcasticamente.

“Até mais, Kai-chan.”. Disse Miyavi, que novamente beijou suavemente os lábios do humano, sentindo aquele leve calor familiar... Não podia mais permanecer naquele local.

“Até...”. Uke murmurou vendo o outro se afastar e voltou para a ‘gaiola’ para terminar seu trabalho.

Algum tempo se passou até que Tom reapareceu, já tendo fechado todas as outras portas do estabelecimento, aguardando ao lado dos patrões, vendo que Yutaka terminou o que tinha que fazer e logo seus amigos vieram ao seu encontro, ambos já tendo finalizado suas tarefas dentro do pub e, juntos, todos deixaram o local.

“Uma ótima folga para vocês.”. Tom disse educadamente, começando a se afastar do trio nipônico.

“Obrigado por tudo.”. Uruha se despediu, dando um tchau.

“Boa folga para você também.”. Ruki respondeu, trancando a última porta pela qual todos tinham saído.

“Obrigado pelo ótimo trabalho.”. Foi à vez de Kai se pronunciar, finalmente convencido de que a contratação de Tom realmente era necessária e benéfica.

“Eu sabia que você ia gostar dele!”. Uruha declarou, vitorioso, enquanto começavam a caminhar.

“Sabia nada!”. Uke protestou.

“Mas sabíamos que era necessário e você não quis admitir...”. Matsumoto interveio.

“Ah, mas...”. O moreno começou a argumentar, no entanto, foi interrompido.

“Kai...”. Uma voz suavemente familiar chegou aos ouvidos do moreno.

Yutaka girou sobre os calcanhares e se deparou com um jovem de negras madeixas, trajado com uma impecável calça social preta, a camisa de mesmo tom com os dois primeiros botões abertos e um paletó cor de vinho escurecido, e na alva face um sorriso sincero estava desenhado, parecendo ainda mais radiante banhado pela luz tênue do amanhecer que se iniciava.

“Nao!”. Kai exclamou em um murmúrio, enquanto as lembranças do que acabara de acontecer entre ele e Miyavi brotavam em sua mente, ao mesmo tempo em que via o sorriso do moreno a alguns passos de si murchar aos poucos.

Uruha e Ruki se entreolharam com interrogações nas faces.

“Ahh... Kai, nós vamos na frente.”. Ruki avisou.

“Tudo bem...”. Respondeu em um murmúrio, caminhando até Nao, que veio em sua direção, enquanto a dupla de amigos se afastava.

“Você não parece muito feliz em me ver...”. O mais baixo comentou quando pararam próximos um ao outro.

“Não é isso! Eu só fiquei surpreso. Você disse que demoraria um pouco mais.”. Kai declarou, afinal não era mentira, mas... Olhando nos orbes escuros diante de si, tinha a nítida sensação de ver ali uma profunda decepção, como se Nao soubesse de tudo o que havia ocorrido.

“Verdade, agilizei as coisas para voltar mais rápido.”. Naoyuki afirmou, sorrindo discretamente.

“Fico feliz.”. Uke respondeu retribuindo o sorriso de forma doce, um misto de sensações se fazia dentro de si. Havia uma ternura calorosa e um sentimento de traição muito forte. Mesmo que soubesse que não havia nada firme com o jovem diante de si, doía o fato de tê-lo ‘traído’.

“Kai-kun...”. O menor chamou com carinho, aproximando os corpos, pousando a mão direita sobre o peito do mais alto enquanto a outra ia à cintura esguia.

“Sim...?”. Respondeu em um murmúrio, mergulhando nas profundezas misteriosas dos orbes negros do outro que tanto lhe fascinavam, pois parecia conter centenas de anos de segredos e sedução.

“... Quer sair comigo hoje? É sua folga, né.”. Convidou, deslizando suavemente os dedos sobre o tecido negro que cobria o corpo de Yutaka.

“Como sabe que é minha folga?”. Indagou curioso.

“É a noite que o ‘Mausoléu’ fecha, sempre foi assim.”. Nao respondeu com naturalidade.

“Ah sim... Eu gostaria muito de sair com você.”. Kai respondeu, aquela seria uma oportunidade interessante de conversar com o menor, conhecê-lo melhor e talvez dizer tudo o que havia acontecido, que estava se envolvendo com outra pessoa... Ou quem sabe se encantaria de vez por Nao e resolvesse dar um basta nas aproximações de Miyavi... Seria bom para se decidir, pois não gostava de enganar ninguém, tão pouco era promíscuo...

“Posso te pegar na sua casa? Às vinte?”. O imortal indagou.

“Ah, mas eu moro longe, não seria melhor nos encontramos em outro lugar?”. Kai disse, não querendo dar trabalho ao menor.

“Eu gostaria de te buscar, se você não se importar, claro.”. Insistiu, com jeitinho.

“Tudo bem, tenho que arrumar algum papel para anotar o endereço...”. Kai sorriu levemente e começou a apalpar os bolsos a procura de papel e caneta.

“É só dizer, eu não esqueceria algo assim...”.

Nao afirmou.

Um novo sorriso se desenhou nos lábios do mais alto e, logo, começou a dar instruções de como chegar ao palacete.

“Agora... Só uma coisa poderia me deixar mais feliz...”. O vampiro sibilou em um tom lânguido, colando os corpos de modo sensual, com as mãos na cintura do outro.

“E eu acho que sei o que é...”. Kai ronronou levemente divertido, ao mesmo tempo em que pousava as mãos no pescoço do menor, sentindo os fios macios das madeixas negras, e aproximava os lábios.

O contato se iniciou suave, as bocas ligeiramente abertas, enquanto os pares de orbes se fechavam e as línguas se precipitavam à frente, uma em busca da outra, logo tendo seu desejo realizado, e começaram a se entrelaçar de forma sensual e lentapermitindo queos corpos se aconchegavam um ao outro, como velhos amantes que sabiam exatamente como fazê-lo.

Cálida ternura envolvia o ato, os jovens se entregavam ao momento e apreciavam o sabor mútuo, ambos deixando escapar pequenos gemidos em meio ao beijo que começava a ganhar um ritmo mais instigante, intensificando o calor que se espalhava pelas veias e artérias de ambos os seres.

“Humm... Melhor pararmos...”. Kai sussurrou partindo o beijo, ainda de olhos fechados.

“Ahh... Mas essa sua boca...”. Nao reclamou, reabrindo seus orbes e fazendo menção de beijar Kai novamente.

“Conversamos a noite.”. O mais alto declarou em tom divertido, se afastando apenas alguns centímetros.

“Tá...”. O menor concordou nada satisfeito.

“Até à noite...”. O humano disse, aproximando as faces e mordendo suavemente a bochecha do outro.

“Até lá, então.”. Naoyuki respondeu sorrindo, mesmo que Kai tivesse se afastado logo em seguida.

“Tchau...”. Yutaka murmurou, dando alguns passos para trás. Era estranha a atração que aquele jovem exercia sobre si, desejava não ter que se afastar...

“Tchau...”. Murai respondeu, tentando conter a raiva que havia dentro de si. Como alguém ousava disputar com ele? Aquele vampiro pagaria muito caro por ter cruzado seu caminho!

Uke novamente girou sobre os calcanhares, dando as costas ao menor, vendo os amigos ao longe e começou a correr em direção a eles, percebendo que os dois pararam para lhe esperar, por isso logo os alcançou.

“Arrasando corações?”. Uruha brincou quando o moreno se juntou a ele e Ruki.

“Nem vem com brincadeiras, Uru...”. O moreno avisou impaciente e levemente arfante.

“O negócio tá sério...”. Ruki comentou com um sorriso contido nos lábios.

“Ah... Falando em ‘sério’... Uru eu estava pensando... Por que você demorou tanto tempo para pegar aquelas bebidas?”. Yutaka relembrou, afinal o bar havia ficado sozinho por um tempo, pois tinha recebido várias reclamações dos clientes, mas por ter se transtornado tanto com as palavras de Miyavi, nem ao menos se lembrara de perguntar ao amigo o que teria acontecido...

“...!”. Um frio congelante subiu pela espinha dorsal de Takashima, enquanto novamente aquela trilha sonora tocava em seu cérebro. Estava, definitivamente... Ferrado!

Continua...



Da demora na atualização... Bom, só avisei na comunidade do orkut Aoi e Uruha e no fórum the GazettE, então tem muita gente que não sabe. A minha vida de ser a toa acabou. Comecei a faculdade e, logo em seguida, arrumei um emprego, ou seja, o tempo para escrever ficou reduzido à zero, para ser sincera nem achei que seria possível continuar nesse ofício de autora... Enfim, descobri que aqui no serviço dá para escrever um pouco. Estou fazendo o possível para atualizar a fanfic, então, por favor, tenham paciência comigo.

Muita gente deve ter ficado confusa com o aparecimento do Nao à luz do dia, quando os outros vampiros fogem do sol... Não, não, isso não é um furo no meu roteiro, terá explicação! [autora má que enche a fic de pequenos mistérios]

Acho importante comentar uma coisa a respeito do Miyavi: Eu não tenho controle sobre ele! Sem brincadeira, toda vez que ele aparece, a cena simplesmente surge, as falas, os trejeitos, tudo e, cada vez mais, temo que ele domine essa fic junto ao Kai e o Nao. Contudo, vou continuar me esforçando para manter certo equilíbrio... Será que consigo? Só os próximos capítulos dirão...

Aliás, pequeno spoiler sobre o próximo capítulo... Ele será hot!!!! [sai correndo]

Os costumeiros agradecimentos vão para: Kaori [Dessa vez eu não esqueci!! ^^], Neko Lolita, Suzuki Yuki, Juliet, Giih Celas Otonashi, Akira-chan, Luna 69, Shiroyama Gabi-chan, yumi-chan, Meguxa, MizumyKi, Karen 14, Nandinha, Atsuko, May 31, Baby In Wonderland, Prixy, Ana Sparrow (Eu realmente não tenho dúvidas de que o mundo jamais será o mesmo depois que a gente se conheceu xD), Teh Hayashi, syndrome girl, Sayori, Ruka, Kiwii, Litha-chan (seus comentários ainda me fazem rir muito!), Kage, Fafuxa, nathy, Yuui, duh, Gabi Ielo, Cássia, Letícia e... Tem mais alguém? Acho que não, ta todo mundo ai, caso não esteja me perdoem -.-

Um obrigado especial a Uy-chan (Bella Potter Malfoy) por se juntar à Yume Vy na difícil tarefa de betar as minhas fics, adoro vocês meninas!!!



06/05/2008, 10:04 AM




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