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Capítulo 33
Um sonho que poderia ter ficado para trás

     






Esse é o capítulo 33, pessoas, bom divertimento. LEIAM OS AVISOS!!!



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Pierre cambaleou ao se levantar, com o corpo pulsando de dor. Olhou para trás e ajudou Chuck junto de Richard. Não imaginou que as coisas pudessem ter chegado a tal ponto. Era chocante, extremamente irracional o que tinham feito. Tinham humilhado-o e ainda por cima feriram seu melhor amigo. O policial acompanhou-os até chegarem a quarteirões de distância, onde o carro estava estacionado. Fergie aproximou-se do policial e o agradeceu sinceramente. Ele abanou com a cabeça afirmativamente, sensato de que tinha feito o certo.

- Espero que possamos nos ver novamente, de alguma forma. - murmurou ela. - Você é uma boa pessoa.

- Só fiz o que tinha a obrigação de fazer. - afirmou. - São um bando de covardes. Espero que o Sr. Comeau e o Sr. Bouvier fiquem bem.

- Obrigado. - agradeceu ela gentilmente. - Muito obrigado.

Fergie virou-se, Richard a observava, enquanto os outros já estavam dentro do carro. Ela o adentrou e fechou a porta. Richard deu partida no carro. Pierre abraçava Chuck, que mirava o banco a sua frente, com a testa ainda sangrando e Seb, no banco da frente, procurava o kit de primeiros socorros que continha o que precisavam. Seb o encontrou e passou-o para Fergie. Fergie o abriu e aplicou o remédio em uma bola de algodão. Chuck se sentou melhor, ainda apoiando-se em Pierre. Fergie limpou-o com cuidado, seu ferimento estava bem profundo, profundo o suficiente para que dali pudessem ir para um hospital para dar alguns pontos. Chuck recusou a proposta, quando ela a expôs para todos.

- Não, só vamos causar mais conflitos e os repórteres terão mais notícias para amanhã... aah... - gemeu ele, quando Fergie passou o algodão. - Vamos parar com isso...

- Chuck, você foi violentado! - protestou Pierre as suas costas. - Está ferido, quer que a gente simplesmente ignore o fato?

- Seria melhor assim. - replicou ele, estremecendo quando Fergie passou o algodão mais uma vez.

Fergie terminou de limpar o ferimento e fez um curativo com gaze e mais uma bola de algodão e fixou na testa de Chuck. Ele estava um tanto tonto. Seb achou uma garrafa de água e passou-a para Fergie, que limpou com delicadeza a face dele. Richard os olhava pelo retrovisor, preocupado.

- E você Pierre? Tudo bem? - perguntou Fergie.

- Sim, só cortei a boca pelo lado de dentro, um cortezinho de nada, estou bem.

- Eu mandei você sair, Pierre! - protestou Chuck, demonstrando raiva. - Eu pedi para que você me deixasse!

- Ah, é?, eu não faria nem que fosse obrigado! - respondeu com a voz áspera.

- Você também está ferido, chutaram essas costas, que já te trouxeram problemas o suficiente! Você não precisava ter me protegido, você não merecia mais passar de novo por tudo aquilo e muito menos ser forçado a relembrar aquelas humilhações!

- Eu não dei atenção a humilhações, Chuck! É claro e inevitável não pensar nelas quando estavam chovendo pontapés em nós, mas da última vez que eu soltei alguém, que eu abandonei alguém no meio de um tumulto, Chuck!... Eu perdi tudo!... eu perdi o David e não iria suportar deixá-lo ali também!...

Um silêncio pesado ficou entre os cinco. Pierre com lágrimas nos olhos, não acreditando que tivera que lembrá-lo de que a última pessoa que largara entre uma multidão, tinha sido pisoteada até a morte e que aquela pessoa fora seu melhor amigo e que, de uma forma ou de outra, Chuck tomara com toda cautela e atenção a ele, o posto. Ficaram um bom tempo em silêncio até Chuck murmurar desculpas.

- Tudo bem. - respondeu ele, fungando. - Não tem problema, já é muito menos doloroso pensar nele agora. Só queria dizer que não vou abandonar você mais.

Seb estava virado para o lado de trás, olhando os dois. Chuck também tinha lágrimas nos olhos. Talvez estivesse pensando que, apesar de todos os seus esforços, não conseguiria ser perfeito e capaz de ajudar Pierre em todos os momentos. Afinal, ambos eram adultos, unidos e conseqüentemente podiam arriscar-se um pelo outro. Não só com Chuck, pensou Pierre, Com todos eles. Eles arriscaram por ele, sua única obrigação era retribuí-los.

- Essa cena é tão estranha. - disse Richard dando um sorriso enviesado. - Eu não vejo Chuck desde quando ele foi pegar o resgate, Pierre desde o enterro, se bem que na verdade, você não me viu, não é Pierre? E Seb... eu não sabia que você já tinha voltado e muito menos que a Fergie estava em Montreal.

- Nossa, é verdade. - murmurou Chuck, corando, pois era claro que Richard não estava muito feliz desde que ele sumira com todo o dinheiro do resgate da sala onde eles estiveram.

- Pierre está bem, pelo que vejo. - disse o encarando pelo retrovisor. - Só precisa engordar um pouco... e quando é que Pierre voltou?

- Eu o achei. - informou Seb. - Foi aí que eu e os outros nos vimos de novo e decidimos morarmos juntos novamente.

- Fergie veio nos ajudar. - disse Chuck, com a voz um pouco baixa. - Ficou morando lá em casa tem um tempo. Desde o dia do seqüestro, não é, Fergie?

Ela concordou com a cabeça e Seb seguiu a conversa:

- Pierre estava nos arredores da cidade, abandonado pelo seqüestrador e o achei e levei-o para o hotel para tratarmos dele. Ele passou bastante mal naquela noite, mas já está bem, mas enfim, como nos encontrou Richard?

- Liguei para a casa de vocês não tem menos de meia hora, para pedir para vocês que não saíssem da delegacia antes que eu estivesse presente. - disse, guiando o carro pela cidade iluminada. - Sabia que as pessoas não os receberiam de braços abertos. Pelo menos achei quando vi o meu muro pichado com "Sai fora" e minha janela da sala quebrada. Mas o que andam falando de vocês é horrível. Têm pessoas que amavam vocês e passaram a odiá-los, acusando vocês de falsidade e fazendo cena para se gabarem. É claro que o que aconteceu durante o seqüestro devia ter sido mantido em segredo, mas agora é irreversível. Estão humilhando Pierre cada vez com mais fervor, sem contar que estão massacrando quem os apóia. Billie, por exemplo. Chamando-o de "idiota que apóia incondicionalmente uma banda de loucos".

- Disseram isso do Billie? - quis saber Seb, indignado.

- E muito mais. Algumas coisas os deixariam com náuseas, assim como me deixaram. - disse dando um sorriso amarelo. - O Red Hot Chili Peppers está no topo, certo? Bem, estava até ontem de manhã, quando Anthony Kiedis afirmou que todas as pessoas da mídia estavam sendo mais ridículas do que estavam interpretando de vocês.

- Falaram algo do Gerard? - quis saber Pierre.

- Ah, nem se fala em Gerard Way. Ele defendeu-os e sujou para o lado dele nos últimos dias. Não falaram nada sobre o que está se passando no interior da banda dele, porque, obviamente, não sabem de nada. Sobre o Pete Wentz, realmente nada relevante comparado aos outros. Já você, Fergie, não param de insinuar que você está ficando louca e que quer se aproveitar deles.

- Ridículo. - bufou Chuck. - Sem Fergie eu não sei o que seria de mim. Ela cuidou de mim algumas noites quando eu estava muito doente. Falar algo para a mídia agora é o mesmo que arar o mar: não tem importância ou relevância alguma quanto ao que dissemos.

- Mas, retomando o assunto, vim para cá quando soube que vocês já estavam na delegacia. Cheguei um pouco tarde demais. Mas com certeza não teria conseguido tirá-los da confusão sem a ajuda do policial. Foi uma atitude drástica para ser tomada, mas foi a única coisa que realmente despertou-lhes a atenção e que fez com que os outros policiais se movessem para ajudar vocês. Acho que alguns estavam receosos quanto à imagem deles diante os colegas e sabiam que iriam sujar a barra deles. Espero que quem fez mais que a obrigação fique bem. Têm certeza de que não querem entrar na justiça com isso? Podem ganhar tão facilmente quanto acender uma lâmpada.

- Não vai ser bom para a nossa repercussão, não podemos. - analisou Pierre, por mais que seu desejo fosse fazer exatamente aquilo. - Apesar de termos um ótimo advogado - disse sorrindo para ele - Não podemos.

- Tudo bem. Não vou fazer algo escondido de vocês. Mas espero que os deixem em paz, assim como todo mundo espera. - disse, retribuindo o sorriso.

Chegaram à mansão, finalmente e Richard parou à porta. Todos desceram, inclusive Chuck, que só sentia-se bem melhor comparado há alguns minutos.

- Não quer entrar? - perguntou Pierre para ele, quando ele bateu a porta que abrira para Fergie, agora caminhando ao lado de Chuck.

- Ah, não Pierre. - suspirou ele. - Eu tenho que voltar para casa, estou cansado com isso tudo. Já estou me sentindo bem melhor por vê-lo tão bem.

- Não estamos tão bem, você sabe. - disse se aproximando até ficar frente a frente com ele. - Falimos. Chuck gastou tudo o que tinha com a fiança para me libertar.

- Não pense nisso hoje e nem comente com ele. - aconselhou ele, erguendo as sobrancelhas. - Ele se arriscou muito por você naquele resgate, ele estava completamente apavorado quando eu o vi pela última vez. Só se cuide e não deixe se ferir mais. Eu garanto que poderemos tratar deste assunto mais tarde.

Pierre concordou com a cabeça e poucos minutos depois, se juntou aos outros, que ouviram o carro dar partida e sair. Esperaram um tempo em frente à porta, até Pat abri-la, soprando uma língua-de-sogra barulhenta, ao mesmo tempo em que ela batia no nariz de Fergie, que sorriu amarelo.

- Ah, Deus! - exclamou Pat, olhando para Chuck, que estava com o curativo sangrando e rosto pálido e logo depois olhou para Pierre, que tornou a passar a mão no canto da boca para limpar o sangue que escorria. - O que houve?!

Jeff apareceu, segurando uma bandeja de brigadeiros. Aquilo estava com cara de uma festa de aniversário, não um jantar, pelo menos, era aquilo que Pierre pensou. Correu até a cozinha e na volta, os outros já tinham se acomodado na sala de visitas.

- O que houve?! - exigiu ele também, olhando para Chuck. - Você está bem, Chuck?

- Não, obrigado. - respondeu sorrindo amarelo. - Estou me sentindo um pouco mal.

- Atingiram-no com uma garrafa enquanto saíamos. - explicou Seb, enquanto Jeff se aproximava do melhor amigo. - O corte foi profundo. Estávamos cercados, ele caiu e Pierre ficou o protegendo. Ficamos apavorados.

- Cercaram vocês? E fizeram isso? - perguntou ele, indignado, olhando Seb. - Isso é um absurdo! Não ajudaram vocês?

- Garanto que se não fosse por Richard, teriam nos chutado até sangrar. - comentou Pierre, receoso. - Ficamos assustados, claro. Os policiais ficaram lá de enfeite, nos olhando, ignorando completamente os gritos da Fergie. E Chuck queria que eu o deixasse lá, não é, Chuck?

- Como assim, deixá-lo lá, Chuck, você está maluco?! - protestou Jeff, o olhando com raiva.

- Eu só não queria ver o Pierre machucado novamente, da última vez que o vi ferido, eu não tolerei a idéia de imaginar que a culpa de certa forma não deixava de ser minha. Mas Pierre foi sensato na atitude dele, não nego...

- Ele queria que eu o deixasse lá, sendo pisoteado, igual ao o que eu deixei acontecer com David. - disse Pierre, o olhando com frieza. - Eu não iria deixar. Não mais um de nós, não mais sofrimento para essa casa, ou para qualquer um ao nosso redor! Será que algum dia isso vai acabar? Algum dia?

- Vamos fazer o seguinte! - interrompeu-os Fergie. - Pierre, querido, vá tomar seu banho e se deite, ok? Chuck vamos lá para cima, você também precisa de um descanso. Não sei o que vocês farão, mas esses dois precisam descansar. E se você estiver cansado, Seb, ou dolorido, porque provavelmente está depois de ter sido acertado por outras garrafas enquanto me protegia, vá também. Jeff, Pat, guardem as coisas, vamos deixar a comemoração para amanhã à noite, estamos muito cansados e não vamos aproveitar nada.

Pierre, concordou, achando aquilo um tanto engraçado por um tempo. Mas logo viu que aquela atitude despertou nele uma sensação familiar quase esquecida: a atitude de uma mãe. Por mais que Fergie estivesse apenas há alguns anos a sua frente, ele sentia essa firmeza na voz encantadora dela.

Pierre sorriu de leve. Não sabia muito bem de deveria ter feito aquilo. Pat encolheu a língua-de-sogra, desanimado e comentou:

- Eu até comprei chapéus de festa...

- Eles estão cansados, Pat, ela tem razão. - disse-lhe Jeff, olhando para Chuck, assentado no sofá. - Vem, cara, vamos lá para cima.

Chuck levantou-se e acompanhado de Jeff, Pierre e Fergie, foram para seu quarto, enquanto Seb e Pat ficaram no andar de baixo, para garantirem a arrumação da cozinha. Chegando ao andar de cima, Jeff desfez o curativo improvisado de Fergie enquanto ela, no banheiro da suíte, procurava algo que poderia ser mais eficaz. Jeff analisou o ferimento, balançou a cabeça de leve, inconformado, e falou:

- Temos que levá-lo a um hospital. Não tem como ignorar, está precisando de pontos.

- Não, Jeff, por favor. - protestou ele, de maneira cansada. - Não preciso, estou me sentindo razoável...

- Mas está ferido com gravidade! - rebateu Pierre, demonstrando raiva mais uma vez. - Por favor, você Chuck! Não vamos ignorar que você, sim, está ferido e que sim, precisa de cuidados!

- E como se você também não precisasse. - tornou ele a falar, lançando-lhe um olhar frio. - Foi chutado repetidamente e sua boca está cortada.

- Um corte em minha boca não é páreo para um corte bem maior na sua testa, Chuck. Já é a segunda vez que o acertam na cabeça com algo, na primeira vez com um chute, dessa vez com uma garrafa. Levar garrafadas não é divertido, você sabe.

Pierre tivera alguns imprevistos com garrafas voadoras durante os shows, havia muito tempo. Certa vez foi totalmente grave, ele esqueceu-se completamente da letra da música, David assumiu os vocais por duas músicas, mas Pierre precisou ser levado às pressas a um hospital. Chuck também, no passado, mas recusou-se a sair do palco até o fim do show. Aquela determinação dele os inspirava de certa forma, desde que não estivesse coberta de sangue.

- Eu não quero ir para um hospital e ver mais fotógrafos. - desabafou ele, num suspiro. - Eles não querem nos deixar em paz, é só isso que me preocupa. Prometo à vocês se o curativo não funcionar essa noite, amanhã de manhã já estarei na porta do hospital.

- Então, que assim seja, vamos parar de nos pressionar aqui, não somos pais uns dos outros. - falou Fergie, trazendo o material para fazer o curativo nas mãos e os colocando sobre a cama, enfrente a Chuck. - Eu cuido de você, Chuck.

Ele corou instantaneamente. Jeff e Pierre olharam-se pelos cantos dos olhos. Chuck manteve contado visual com Fergie, que preparava o que fosse preciso para fazer o curativo.

- Ah, Pierre. - falou ela, surpreendendo-o - Troquei sua roupa de cama, pode dormir se desejar.

- Obrigado, Fergie.

- Eu vou ajudar Pat e Seb lá embaixo. - anunciou Jeff, levantando-se da beira da cama. - Vamos, Pierre?

- Até mais, gente. - despediu-se Pierre.

Ele e Jeff abandonaram os dois e separaram-se quando Pierre rumou até o quarto e Jeff para as escadas. Caminhou o pouco que faltava para alcançar o quarto esfregando os olhos, sentindo-se culpado por aquilo ter ocorrido a Chuck. De certa forma, se ele fosse um pouco mais forte do que era em seu interior, teria impedido aquilo. Teria atravessado o corredor de paparazzi com agilidade. Mas ao mesmo tempo, viu que seria inevitável não ter se comovido. Soube assim que se lembrou de seus sonhos, as marcas que estavam em seu corpo, as cicatrizes em suas costas.

Queria saber quem tinha feito aquilo a ele. Caminhou até a cama, analisando quarto que não via há tempos. Tirou o forro e dobrando-o, tornou a pensar. Não entendia o que levara a pessoa que o tornara refém a fazer o que tinha feito. Não entendia porque ela tinha o usado. Não entendia o que a levara a amordaçá-lo, amarrá-lo e fazer o possível para que ele não descobrisse quem ele era. Não entendia porque tinha merecido sentir os toques suaves de um homem. Não entedia, também, porque tinha ficado pendurado, indefeso, entre lágrimas e ter que tolerar, em completo silêncio, as pancadas.

Queria poder ter parado de beber e de fugir depois de ter agredido Billie. Assim, nunca teria machucado Gerard Way. Agora eles não estariam em uma crise com as economias. Se não tivesse pensado em sair pela cidade, naquelas noites geladas, nunca teria aceitado a primeira droga. Não se lembrava muito bem, ele tinha certeza de que estava bêbado demais para lembrar de algo. As únicas coisas claras em sua mente era ter pego as chaves na cômoda, verificando se seus amigos estavam dormindo para ele fugir. Se embebedar e comprar drogas, retornar para casa e se destruir lentamente. Não se lembrava de ter comprado-as, na verdade. Só se lembra de ter voltado à sanidade quando pôde reconhecer que estava em uma clínica de tratamento intensivo para curar-se de drogas. Naquele dia ele gastou todas as lágrimas que conseguiu. Por segundos veio a sua mente um rapaz apavorado e encharcado de sangue, comprimido contra uma grade. Ele quase o matara.

Pierre cambaleou com todas aquelas lembranças o atordoando. Ouviu algo cair do criado-mudo. Suspirou, retomando a concentração.

- Pierre? - ele ouviu a voz de Chuck ecoar no quarto longe.

Pierre olhou para trás. Tinha derrubado um porta-foto. Agachou-se para pegá-lo e o virou. O vidro estava rachado e rasgou as fotos, que estavam amontoadas lá dentro. Eram duas. A primeira congelou-o só de olhar. Sua família sorria para ele. Seu pai, sua mãe, seus dois irmãos e ele ao centro. Estavam na festa de Natal, menos de um ano antes da morte deles. Seu pai e sua mãe estavam abraçados, pousando para a foto, enquanto os irmãos exibiam os presentes. Ele sorria, parecia bem feliz no meio deles, Delailah, sua cachorrinha, que morrera antes do acidente, estava tentando pegar a bola do gorro que ele vestia.

A outra foto era dele e David. Estavam juntos, tocando no mesmo baixo. Tinham habilidade para aquilo. Ele tocava na parte de cima, David na de baixo. O outro braço de Pierre estava em seu ombro. Ambos olhavam para o baixo, não para quem tirara a foto.

- Pierre?

Ele ergueu a cabeça, seus olhos abafados com lágrimas, que ele não tivera consciência que tinham se formado. Limpou-as, rápido. Levantou-se, segurando o porta-retrato que caíra.

- Tudo bem? - perguntou Fergie, aproximando-se. - Ouvimos algo cair.

- É... eu derrubei o retrato sem querer, mas estou bem. - falou ele com voz embolada. - Meu porta-retrato quebrou.

Fergie caminhou até ele, pegou o retrato de suas mãos. Analisou-o e sorriu, erguendo os olhos profundos para ele.

- Sente falta deles, não é? E-eu me lembro muito bem de... ter que receber a notícia, mas... - ela abanou a mão no ar, como se estivesse querendo espantar uma mosca. - Deixa isso para lá.

- Fergie, tenho que confessar uma coisa para você... é que... sabe quando você falou que nós podíamos descansar?... você pode achar idiota... mas... quer dizer, é muito idiota, mas...

- Achou que eu tive atitude de mãe? - perguntou ela, sorrindo. - Assim como o Billie te abraçou e você sentiu que ele era seu pai? Eu não vejo problema de você confessar algo assim, não acho que isso seja idiota. Sometimes... - suspirou ela. - Às vezes nós realmente precisamos de uma ajuda, alguém que possa nos trazer conforto. Apesar dos outros não terem perdido os pais, assim como você e David, é como se alguém precisasse nos dar conselhos quando eles estão longe. A falta de quem nos ama não se torna importante quando as perdemos. Só se intensifica porque ela era importante demais para que pudéssemos esquecer ou admitir que elas não vão voltar.

Pierre não entendeu o que o tomou ali, mas era uma sensação agradável. Algo que não sentia há muito tempo.

- Quer que eu conserte? - perguntou ela, retomando o sorriso.

- Ah... ok. E o Chuck, está tudo bem como ele?

- Ele é teimoso. - disse sorrindo. - Mas... é doce ao mesmo tempo. Ele vem se exigindo muito também, isso me preocupa. Ele não está se sentindo bem por você ter o ajudado. Mas ele já fez mais do que imagina por você. As noites que ele passou acordado, ou tendo os pesadelos. Ele é forte também. Agora vá dormir, Pierre. Você também não deve se exigir demais.

Pierre, após alguns minutos, estava com a cabeça deitada no travesseiro. Ele repassou mentalmente sua vida antes de se tornar o grande e poderoso líder da maior banda de todos os tempos... como queria que aquele sonho tivesse sido, de fato, um sonho.

Avisos Importantes:

  • O David vai sumir, gente. ¬¬º A fanfic está demasiadamente enorme! Esse capítulo era pra ter ficado junto do capítulo passado. Está muito grande, eu tive que cortar e terei que cortar outros capítulos, isso irá atrasar a entrada do David na fic (e da Anna, hehe...). Mas ele vai voltar com um gás danado, preparem os corações... x.x
  • A fic tem mais 11 capítulos e não haverá mais Parte I e II por enquanto, depende do tamanho da Parte II.
  • Eu vou postar diariamente os capítulos anteriores para vocês relerem (ou lerem) e os capítulos novos são o mesmo esqueminha: fins-de-semana!
  • Obrigado pelos reviews e apoio de vocês, isso só me faz querer ir mais em frente! ^^
  • O que acharam da capa? @.@







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