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Capítulo 26
"Ridículo, anta, idiota!"
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Pierre olhava para o novo quarto cada vez mais agradecido por estar em casa, por poder acreditar que aquilo não era um sonho e que os pesadelos que ele tinha vivido durante nove dias tinham ficado para trás. Ele não sabia descrever o quanto sentia-se confortável e emocionado por estar em sua cama... apesar dos roxos em seu corpo e os múltiplos cortes que o perfuravam, ele estava em paz, pela primeira vez em quase três longos meses. Houve uma batida na porta e ele autorizou a entrada. Era Jeff, que entrou com uma enorme bandeja com sucos e sanduíche. Pierre sentiu o estômago roncar, mas só de se lembrar do que acontecera da última vez que comera algum sanduíche... Jeff sorriu e colocou a bandeja na escrivaninha ao lado da cama, enquanto Pierre afastava o sexto livro do colo. - Toma, Pierre. – disse o amigo lhe entregando um prato com um sanduíche de atum, aparentemente. Pierre não conseguiu nem ser um pouco educado, estava morrendo de fome, abocanhou o máximo de pão que pôde. Acabou ficando rubro, tinha tanto pão na boca que mal mastigava. - Ah, pára, pode comer! – riu Jeff. - Foi mal! – exclamou Pierre, de boca cheia. – Mas é que eu não sinto o gosto de alguma coisa tem mais de uma semana! Mas... pode me passar o suco? Jeff riu novamente, enquanto Pierre tomava o suco, que ajudou bastante o pão a descer. - E o Chuck? – perguntou Pierre, dando mais uma dentada. - Ele já está dormindo. Ele esteve muito mal nos últimos dias por sua causa. Eu e Pat tínhamos que alternar para vê-lo durante a noite, tinha pesadelos terríveis e não voltava a dormir depois. – suspirou ele pesadamente – Apelamos para remédios para fazê-lo dormir, mas ele também não parava de desmaiar... depressão... quando descobrimos eu juro que quase desisti também... Pierre mastigou devagar. Ao engolir, olhou para Jeff no fundo dos olhos e disse: - Ele falava. Falava que Chuck estava desmaiando, que ele tinha o enganado com o resgate... - Você tem que parar de pensar no que aconteceu com você. – consolou Jeff se assentando ao seu lado na cama, passando o braço em seus ombros, agora encolhidos. Ele concordou com a cabeça. Estava com medo de voltar a chorar, por isso se controlou ao máximo. Ele não queria mais chorar, já tinha gastado lágrimas demais, mas mesmo assim... foi horrível. Só pensava desesperadamente no que o homem lhe faria da próxima vez... - Pie, tudo bem? – perguntou Jeff para ele, calmamente. - Não sei, Jeff... – gemeu ele, com voz de choro, por mais que não quisesse. - Tudo bem... tudo bem, Pierre, ele não vai mais te machucar, ninguém vai. - Aah, não...! Por que comigo, Jeff? O quê é que eu fiz? - Não, não pense naquilo. – Jeff o abraçou carinhosamente. Pierre derramou duas lágrimas de desespero. Lembrar de que tinha sido usado... de que tinha que tolerar ser estuprado, em silêncio, sem poder gritar... sem pedir ajuda... e se gritasse... era espancado e tudo aquilo era no escuro, sem reação alguma, suas mão presas... e a seu único desejo era poder voltar para casa... Jeff lhe afagava as costas, enquanto ele escorava a testa de leve no ombro do amigo, chorando. - Quem faria isso comigo, Jeff? E-eu não entendo... - Há muitas pessoas ruins no mundo, Pierre. – assegurou Jeff, encabulado. – E quem tenha feito isso... sabe o que você está passando, quer ferir você. E eu juro que iremos te proteger e nunca mais deixaremos isso acontecer de novo. - O que vão falar de mim? – choramingou ele. - Não tem que se importar do que irão falar de você, nunca ligamos para isso, não é mesmo? E a partir de tudo o que houve, vamos descobrir em quem realmente devemos confiar. E assim sendo, devemos ser fortes. - Fui capaz de passar por muita coisa, mas não acho que consigo mais resistir. E sim recuperar para poder resistir de novo. Mas preciso de vocês. A partir de agora e de sempre. - Confie em nós, então, assim como confiamos em você.
Na sacada, ele sentia o sol esquentando o seu rosto pálido e cansado. Não podia acreditar que já era o décimo dia. Uma brisa o acariciou e ele fechou os olhos para senti-la, com a esperança que essa sussurrasse algo em seus ouvidos. Mas nada, e ele sabia que o vento não lhe traria nada além de um pouco de poeira. Ouvi o titilar de talheres a sua direita. Já sabia quem era, não se importou demais, apesar de estar com fome. Virou algo obsessivo saber cada detalhe do que estava ocorrendo, mas eles queriam paz, por isso não os incomodava. Reabriu os olhos, lento, o verde de seu olhar acompanhava a linha do horizonte distante sob a cidade de Montreal. - Você tem que comer, Gerard. – suspirou seu irmão Mikey. - Eu não estou com fome. – disse com amargura. - Gerard, já foi tempo demais! – exclamou seu irmão, chateado. – Não acha? Passamos um mês inteiro aqui! Temos que voltar para casa! - E assim que voltarmos para casa, o que vai fazer, hem, Mikey? Qual é a diferença de estar aqui ou lá?! - Nossos pais! Gerard... mamãe ainda não te viu! - E vai ver? E precisa ver? A única coisa que eu faço é ficar sentado nessa merda, com um desgraçado com o Pierre! Fazendo o que bem entender! A única coisa que eu faço é ter que ficar sentado aqui, como você trocando minhas roupas! Pararam de se dar bem quando Pierre foi seqüestrado, para o azar de Gerard. Ele dependia do irmão para quase tudo. - Eu não enfrento trocar você como um castigo! Pelo contrário! Você é meu irmão, Gerard! O que há de mal trocar meu irmão numa situação dessas? - Não é você que não tem mais intimidade ou que não pode se trocar sozinho! Não é você, Mikey! E o problema é a mídia! Lembra?! - Pára com isso! - LEMBRA?! E como se não bastasse, aonde é que vamos, há aquele maldito fotógrafo com cara de anjinho, maravilhoso, que fica paquerando as repórteres! Tinha sido horrível. Há pouco dias atrás, ao voltar da fisioterapia, o hotel estava lotado de fotógrafos, atormentado Gerard com perguntas e mais perguntas e um deles citou que Pierre tinha desaparecido há alguns minutos. Ele ficou chocado, não controlou suas lágrimas, choveram flashs de todos os lados. Começaram a falar no que ele faria com a banda, com a própria saúde... Mikey não conseguiu contê-los sozinho, era impossível se mover com a cadeira de rodas no meio daquela multidão, acabaram ficando encurralados. Mas a perna de Gerard já estava melhor, bem melhor. Mas seu joelho doía horrivelmente quando tentava andar, ele não dobrava. Estavam com muletas no quarto do hotel, mas Gerard nunca gostava de usá-las, achava-as desconfortáveis e não podia ficar tempo demais erguido. Desistira de ficar lutando para se pôr de pé até o joelho estar realmente bom. Os irmãos ficaram calados, tensos um com o outro. Após minutos, Mikey falou: - Você tem que comer alguma coisa. - Eu já lhe disse que não estou com fome, por um acaso estou falando grego?! Ele manobrou a cadeira de rodas, com má vontade, ignorando-o. Ele entrou em seu quarto, que era um pequeno apartamento que podia dividir com o irmão. Havia uma pequena sala com um sofá e uma televisão pequena. Ele parou a cadeira ao lado do sofá, disposto a se assentar longe do irmão durante um tempo, para poder ficar em paz. Ela apoiou a perna boa no chão, segurou no braço do sofá. Imaginou se não estava um pouco longe demais. Mas mesmo assim, tomou impulso, ficou de pé. A cadeira deslizou para trás, para seu horror. Ele colocou a outra perna no chão, com medo de cair... soltou um berro e desabou no chão. Agarrou o joelho, que o torturava de dor... - GERARD?! Mikey apareceu rápido na porta, enquanto ele berrava, ao lado da cadeira caída, com lágrimas no rosto. O irmão correu para ele, o ergueu, enquanto ele gritava. - Gerard! – disse Mikey, apavorado e tenso, o levantando pelas costas – Calma! Calma, por favor, se controla! Vamos, calma! Ele suspirou, enquanto chorava, descontrolado. Mikey afastou a franja de seu rosto, com cuidado, mas o que melhor pode ver foi a dor do irmão, que segurava o joelho. - Solta isso, Gerard, deixa eu ver. - Está doendo! – gemeu ele – Está doendo muito! - Deixa eu ver! Ele o soltou com cuidado, estava normal. Mas o impacto devia ter doido muito, ele admitia que sim. - AAAH, está doendo! - Ele está normal, não aconteceu nada, vai passar, calma. – tranqüilizou-o. Mikey o trouxe para bem perto dele, para confortá-lo. Os dois passaram minutos abraçados, até que a dor desapareceu. Gerard suspirou, sonoramente e lento. Mikey passou o braço por debaixo de suas pernas. - O quê você vai fazer? – perguntou ao irmão, num sussurro estremecido. - Passe a mão no meu ombro, vou te colocar no sofá. Gerard obedeceu, um pouco envergonhado. Mikey o ergueu, colocou-o no sofá, com um pouco de dificuldade, pois os dois tinham quase o mesmo peso. Gerard dobrou a perna boa, formando um triângulo mais ou menos eqüilátero. Ficou em silêncio. Não sabia o que falar para o irmão, que agora erguia a cadeira do chão. Mas ele precisava confessar que sentia sua falta e as antigas boas relações que tinham até antes do desaparecimento do outro amigo. E assim ele fez, após engolir seco. Mikey sorriu leve e disse: - Tudo bem. Estou aqui porque quero, não porque sou obrigado. E talvez eu saiba o que você está sentido a respeito do Pierre. Mas ele irá ficar bom, ok? É só esperar e ele vai aparecer, Gerard. - Mas já fazem dez dias! – exclamou, angustiado. – Dez dias, Chuck vai acabar em uma clínica se ele não reaparecer! Se eu tivesse o controlado melhor naquela noite... Sinto que a culpa é minha, Pierre nunca deveria estar trancafiado ali! - Você fez tudo o que pôde, Gee... – o irmão pegou suas mãos sobre o peito, enquanto Gerard fechava os olhos, com remorso. – A maior prova disso é que você está nessa cadeira de rodas, sentindo o que algumas pessoas nunca sentiriam após de terem caído de quatro andares. Gerard riu, ainda de olhos fechados. Os abriu para o irmão, com um olhar de alivio por se reconciliarem. - Desculpe, Mikey, devo ter sido grosso com você. - Deve? Você foi e muito! – riu ele, passando as mãos nos cabelos do irmão mais velho, que o olhou com cara de quem achava uma coisa boba - Ok, não tem problema. Fizeram mais silêncio, se olhando, e em seguida ouviram uma leve e tímida batida na porta, como se fosse alguém que não queria incomodá-los. Gerard olhou para o irmão, o alertando com apenas o olhar: “Não quero fotógrafos no meu quarto e muito menos tirando fotos minhas chorando”. Mikey suspirou. Levantou-se, deixando as mãos do irmão sobre o peito novamente. Andou devagar, para poder escutar algum alvoroço, mas nada estava movimentado ou excitado do lado oposto da porta. Destrancou lentamente duas vezes, apertou a maçaneta, lambendo levemente os lábios, pronto para o que fosse. Ou não. Abriu-a. Parado em sua frente, ele o olhava com quem já pedisse desculpas, enquanto quem o acompanhava sorria. Ele abriu e reabriu a boca muitas vezes, mas no final das contas, quem berrou foi Gerard: - AAH, MEU DEUS, EU NÃO ACREDITO! Mikey demorou a entender, sua mente deu uma volta completa no mundo. Não fazia nada além de ficar parado. - MIKEY, SEU RETARDADO, ME AJUDE! - Não, tudo bem, eu entro! – apressou a dizer a visita, corando. Gerard virou-se no sofá, ergueu-se na perna boa, Mikey virou para trás, em pânico. - Sai... Sai... SAI! – ordenou para o irmão, pulando na perna boa. Gerard se atirou nos braços de Pierre, que suspirou trêmulo ao recebê-lo, feliz por vê-lo bem. - Ah, meu Deus! – choramingou Gerard – É você! Eu não acredito! Não acredito! Sem pensar duas vezes, Gerard meteu a mão no rosto dele, fazendo Pierre gemer de dor, incrédulo. Flashs vieram em sua mente, o atormentando... mas os olhos verdes que o penetravam o regataram... o rosto inteiramente intacto de Gerard. Ele não estava sangrando, estava bem, porém com os olhos cheios d’água. - É VOCÊ! – berrou Gerard o sacudindo, com lágrimas escorrendo pelo rosto. - É, sou eu. – disse ele, tímido, aceitando que o tapa tinha sido merecido. – Gerard... eu te imploro, me desculpe... - SE DESCULPAR?! SE DESCULPAR, PÁRA DE SER RIDÍCULO, PIERRE, SEU ANTA, IDIOTA!! – berrou o amigo para ele, fazendo Chuck rir. - Tá bom, Gerard, venha cá! – apressou-se Mikey. - ESPERA! – berrou para o irmão – Você não tem que se desculpar, seu burro! Você não fazia idéia do que estava acontecendo com você, estava drogado, mas agora você está bem! A idéia de te seguir foi minha! E eu até senti que podia voar, foi maravilhoso, você realizou meu sonho! - Ele dormiu bem? – perguntou Pierre para Mikey, enrugando o cenho, enquanto Gerard o apertava o pescoço, como se ele fosse um bichinho de pelúcia. - Gerard, venha cá. – disse o irmão, sério, puxando Gerard pela cintura. Gerard estava ofegando, aprecia ter tido um choque. - Entrem. – chamou-os Mikey. Os dois irmãos foram na frente, Mikey assentou Gerard no sofá novamente, ele parecia ter se esquecido por completo do joelho que doera tanto há minutos atrás. Pierre entrou, Chuck fechou a porta ao passar. Pierre se assentou ao lado de Gerard, que gritou: - O que é que está acontecendo aqui?! Desde quando você está salvo?! Por que ninguém me contou NADA?! Por que você está com esses roxos horríveis?! - Se acalme, Gerard. – pediu Chuck com paciência. - Seb me encontrou. – explicitou Pierre, calmamente. – Eu estava num lago nos arredores da cidade, não contamos pra você porque eu desmaiei, passei muito mal, aconteceu tudo ontem. Chuck começou a narrar a história, meio embaraçado, pois sua visão era um pouco mais confusa, mas Pierre o incentivava a continuar todas às vezes que ele lhe lançava um olhar de preocupações. Mas o final de tudo, Chuck não tinha mencionado o estupro, nem como ele ganhara todos os machucados. Pierre suspirou e disse: - E me fez jurar que eu não contaria a ninguém me chicoteando... – murmurou Pierre, sério. – Para que eu não abrisse minha boca ou ele voltaria para me pegar se descobrisse... mas eu não podia esconder de ninguém se eu quisesse ajuda, então... contei que fui estuprado. - Ele te es... estuprou? Um homem? – perguntou Gerard, incrédulo.
- Estuprou... – encorajou-se Pierre. – Foi violento... foram os piores dias da minha vida... Gerard sentiu fúria. Uma fúria que ele jamais acreditaria em sentir... - Quem era?! – gritou ele para Pierre. – Quem era esse desgraçado, como ele era?! - Eu estava vendado, Gerard, não via nada. – lembrou-o Pierre. - Filho... da... mãe! – sussurrou com ódio. – Filho da mãe! Como é que vamos achá-lo?! - Não podemos levar esse caso para a polícia. – recordou-o Chuck, tristemente – Se ele souber que levamos o caso à sério e que Pierre nos contou, pode voltar a seqüestrá-lo, e não podemos arriscar. - E ele... e ele chicoteou você?, do quê está falando? – indagou Mikey, indignado. - Minhas costas... – disse ele, baixinho. - Deixe-nos ver, Pierre, por favor. – pediu-lhe Mikey, paciente. Pierre afirmou com a cabeça. Chuck se afastou dele para ele tirar a camisa. Ele o fez. Ao retirar a blusa um pouco larga de si mesmo (pois tinha emagrecido quase oito quilos), revelou mais marcas roxas no corpo, os pontos em todas as costas. Estavam horríveis. E Pierre muito magro, parecia estar terrivelmente doente e pálido agora. Roxos enormes. E pontadas de dor em seu coração ao se lembrar de cada pancada. - Oh, meu Deus, Pierre, o que esse monstro fez com você?! – gemeu o amigo, em desespero. – Vire-se para mim, deixe eu ver você melhor. Pierre se virou, para que Gerard o visse. - Ele podia ter assassinado você! – gritou Gerard, em pânico. – Olha você! O quê ele fez com você, Pierre, como ele pôde?! - Ele me envenenou com o que estava me dando para comer... passei muito mal, se Seb não tivesse me encontrado e Chuck e Jeff me ajudando... provavelmente eu nem estaria aqui... - Mas quem? – gaguejou Mikey. - Não quero saber quem foi. – sussurrou Pierre, vestindo a camisa de novo. – Já não quero mais pensar só em mim, fali minha banda, machuquei você... e eu quero que isso fique em segredo, não posso mais ser seqüestrado, não vou suportar. - Estão falindo? – perguntou Gerard a Chuck, pois Pierre escondeu o rosto nas mãos. - Infelizmente. – respondeu ele, olhando Pierre, preocupado. – Fechamos a Role Model, a Simple Plan Foundation está fraca, não temos mais dinheiro para sustentá-la, gastávamos dois terços do que ganhávamos nela e além disso internamos o Pierre, os custos foram muito altos, fora o resgate que nos custou cinco milhões... ficamos três meses parados. E o funeral... - E o que vão fazer? – perguntou Mikey, mas Gerard revirou os olhos, com raiva. - Não sabemos. – suspirou Chuck. – Definitivamente não sabemos. - A nossa última escolha é voltar a tocar. – anunciou Pierre, decidido. – Não vou tocar sem o David. Fez-se silêncio entre eles. Pierre parecia estar mais frio aquele dia, com raiva de alguma coisa. Ou meramente saber que agora teriam que enfrentar a falta de dinheiro e a culpa de certa forma fora muito dele. E a menção de David era forte para ele depois de tudo. - Pierre, tudo bem. – consolou-o Gerard, colocando a mão em seu ombro e ele ergueu a cabeça e viu um sorriso de apoio nos lábios do amigo. – Não vai precisar fazer algo que não quer, ainda têm dinheiro o suficiente para algum tempo. Terá que recuperar-se para vermos no que dará. - Muito obrigado, Gerard. – declarou ele sincero – Depois de tudo o que fiz com você... ainda me apóia... pensei que você estaria berrando comigo agora, falando que eu só sou um idiota!... Gerard, me desculpe! – soluçou ele – Desculpe, eu não sabia que iria machucar tanto você! - Ei, ei, ei! Não chore mais! – pediu-lhe o amigo, assustado com a reação dele – Tudo bem, Pierre, não tem mais problema... venha aqui, deixe-me abraçá-lo. Pedir para abraçar alguém que precisava ser consolado era grotesco, mas era o único jeito de fazer isso. Gerard o envolveu e disse em seu ouvido: - Não quero você sofrendo com isso, está bem? Eu estou bem, mas você ainda precisa superar muitas coisas, Pierre. - ele concordou fungando. - Vamos ajudá-lo até o fim, até onde seja preciso. O quarteto ficou calado durante um tempo, até Mikey suspirar e anunciar: - Bem... iremos ficar aqui mais um tempo. Gerard ergueu o olhar surpreso para o irmão. - Se precisarem da gente estaremos por perto. – disse ele, sacudindo os ombros. – Não fará muita diferença para nós, nossos pais sabem que podemos contar um com o outro, não é Gerard? - Ah... é, sim. – concordou ele, um pouco confuso. - Não queremos prender vocês aqui. – protestou Chuck, imediatamente. – Sabe, vocês também que têm que seguir com a vida de vocês. - Estamos seguindo nossa vida – falou Gerard com simplicidade – ajudando vocês, pois foi o que vocês fizeram comigo, você sem dúvidas Chuck. Jeff também. Fiquei feliz em receber notícias sempre. Talvez nem todas, mas o preciso para que ficássemos unidos.
A chuva caia impetuosamente sobre a cabana. Trovoava. Os relâmpagos pareciam cada vez mais perto, o frio comprimia seus pulmões e sua face estava corada. Jack entrou correndo na cabana, encharcado, pingando, trazendo um cobertor que tinha se molhado com a chuva também. Anna estava bem perto dele, ele podia sentir o calor dela. - Vamos ter que ir para o carro! – gritou Jack para Anna, pois a chuva não os deixava conversar. – Está trovoando demais, estamos entre árvores e tudo mais! - O que vamos fazer?! – perguntou a moça. - Eu vou carregá-lo! Afinal de contas, ele melhorou? - Não... estou preocupada, Jack! Ele está queimando, tremendo loucamente de frio e não consegue dormir! - Ok! – gritou, exatamente quando um raio violento cruzou os céus lá fora, se ajoelhando ao lado de Anna. – David?! David, tá me ouvindo? Ele estava morrendo de frio. Seus ossos doíam, mas ele queimava de febre. A única coisa que ele pensava era em Pierre. Pierre amarrado, amordaçado, perdido, com fome... e a culpa era dele. Só dele. Ele concordou vagamente com a cabeça, que latejava. Ele parecia estar com a visão limitada, estava muito confuso. Ouvia a chuva. E os trovões ecoavam seu nome, como se alguém gritasse por ajuda. Estava enrolado em um cobertor bem fino, não podendo se mexer quando Jack o amparou pelas costas e jogou um cobertor mais quente nelas. Jack puxou o cobertor e o firmou ainda mais nas cobertas, enquanto ele tossia pela milésima vez naquela noite. - David, fala alguma coisa! – animou-o Jack, dando-lhe um tapinha no rosto. - Pierre... – sussurrou ele. - Ah! Que novidade! – exclamou o líder com um entusiasmo sarcástico. – Vai ficar melhor está bem? Pense em alguma coisa além do Pierre, isso não ajuda em nada, até parece que você é um crente idolatrando seu melhor amigo! - Está ferido! – soluçou David, desesperado – Preciso salvá-lo!... - Shhh, chega. – disse o amigo, deitando a cabeça de David em seu ombro, com ternura, usando a mão direta em sua nuca. – Vamos, cara, seja firme. Anna, fique aqui, venho te buscar depois... vou colocar ele no último banco, você vai para lá e cuida dele. Ela concordou com aparente determinação. - Jack, espera... – falou ela, antes que ele saísse. – Vista isso, você está bem molhado. – ela estendeu seu casaco jeans e colocou em suas costas. David olhou-a. Sentiu-se demasiado de fraco para fazer qualquer coisa contra. Mas ele se surpreendeu quando ela o embrulhou melhor no pesado cobertor para poder encarar a chuva. - Beleza... – disse Jack tomando fôlego. David se ergueu do chão, Jack o sustentando. Sentiu a chuva em seu rosto, que se contraiu, pois estava muito forte. Outro relâmpago. Jack começou a correr o mais rápido que podia, seu tênis se encharcava de lama pegajosa. Entre as gotas rápidas, David observou um borrão de luz amarelada em quadrados. O carro estava bem perto. David sentia os braços dele começando a ceder por seu peso, mas logo ele parou de sentir os pingos de chuva, quando subiu sinistramente para cima, ao mesmo tempo em que Jack subiu na van. Havia murmúrios de preocupação a sua volta, ele de olhos fechados, querendo sinistramente dormir um pouco. Jack o carregou para a parte de trás. - Camila, me manda esse travesseiro? – perguntou ele, deitando David no banco de trás. Camila o jogou para ele. Sentiu Jack erguer um pouco sua cabeça e colocar o travesseiro. As cobertas estavam pouco molhadas, principalmente a mais grossa, mas ele continuava com frio. - Ele está bem? – ouviu David, observando a preocupação de Izabela. - Vai ficar melhor se você o deixar em paz. – disse o outro, com rispidez. – Vou buscar Anna, desmontamos a barraca e paramos no posto de gasolina mais próximo, não vou arriscar vocês nessa chuva toda. E vou precisar de ajuda. – acrescentou. - Eu irei. – anunciou Lionel. - Você anda estranho ultimamente, mas tudo bem... E CALEM A BOCA, O RAPAZ TEM QUE DORMIR! – acrescentou com raiva para os outros. David ficou imóvel, ouvindo Jack se afastar, os outros se assentando e murmurando, preocupados. Alguns minutos depois, aconchegado, e começando a receber um calor agradável, David sentiu o sono vir. - DAVID! David gemeu, não parava de ouvir Pierre... O trovão continuou se arrastando pela escuridão do céu encoberto. Anna apareceu, o olhando preocupada. Se ajoelhou no espaço entre o outro banco e ele. Tocou seu rosto, debruçando-se sobre ele. - Tudo bem. – falou ela baixinho, afastando uma mecha de cabelos negros de seu rosto pálido. – Tente voltar a dormir. Mais um trovão. A chuva castigando-os. Pierre voltando a gritar. - Eu não consigo... – gemeu ele, desesperado. – Precisa de ajuda! Ele precisa... de... ajuda! - David, calma, não vai poder fazer nada agora, você sabe... - MAS ELE PRECISA DE AJUDA! Precisa de alguém do lado dele agora! - Tem que dormir, David, se esforce, só mais um pouco... Calou-se, mas sabia muito bem que ele não conseguiria dormir. Teria pesadelos, passaria mal como tinham sido as noites anteriores. E nada de Pierre na manhã seguinte... sem notícias alguma... além de Pierre, Chuck estava desmaiando. Ele não tolerava imaginar Chuck caindo na sala do nada, Jeff vindo ao seu socorro e ele o viraria e descobriria novamente que seu amigo desmaiara... Seb fugiu. Patrick estava em casa, tentando fazer alguma coisa contra ele, David, que estava figuradamente morto. Gerard... Billie... e Pierre novamente... - Alguém o ajude pelo amor de Deus!... – gemeu David, entre lágrimas. – Por favor, ajude Pierre... ajude meus amigos, deixe-os em paz... só isso... quero vê-los de novo... não posso perdê-los... Jack e Lionel entram apressados no carro, fecharam a porta com um estrondo. - Beleza, vamos dar o fora! – falou Jack para o motorista. – E vá com cuidado! A viagem seguiu-se contra as intenções de Anna e Jack, ela foi terrivelmente turbulenta, havia uma quantidade inimaginável de buracos na estrada e os postos nunca apareciam. A chuva não cessava. David ficava cada vez mais frustrado. Enfim, Jack juntou-se a Anna e David, que estava com o casaco cobrindo parte do rosto, para se aquecer. - Tem um posto logo ali. – sussurrou ele para Anna, mas David o ouviu, afinal, fingia que estava dormindo, nada estava correndo bem com ele, ele não parava de pensar em Pie... Resmungou alguma coisa para fingir que acordara. Afastou o casaco do rosto, lentamente para poder vê-los. - Acordamos ele, de novo! – exclamou Jack com raiva para si mesmo. - Tudo bem. – murmurou David. – Estou me acostumando. - Que péssimo hábito. – rebateu Jack. - Estamos chegando em um posto de gasolina, talvez consiga dormir melhor lá. Ele concordou. Chegando lá, um grande alívio era poder ter os ouvidos livres de pingos de chuva pesados caindo sobre o teto do carro. Pararam na frente do lugar onde havia o lugar da gerência e o caixa para pagar o abastecimento. A luz pifava, as condições do lugar eram precárias, mas já se acostumara com lugares como aqueles durante a viagem. Apesar de o confortarem ainda melhor, David continuou acordado, tossindo, com frio... pensando... pensando... pensando... Onde? Em algum lugar aonde ninguém vai descobrir. Por quê? Para feri-lo, para machucá-lo... Quem? Alguém que não quer o bem para ele... alguém que pode estar atrás de tudo o que está acontecendo com você. Só quero vê-lo... mas já é tarde demais? Sim. Por mais que você volte, ele nunca vai acreditar em você.
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Parabéns @Kitsune_kuroi, você é a nova sorteada para receber a moldura exclusiva, "Yaoi Addicted"! Informe sua ID :)cerca de 2 dias atrás É uma pena, mas @maryeanna não respondeu e portanto sortearemos outra pessoa para ganhar a nova moldura exclusiva, "Yaoi Addicted" #nyahcerca de 2 dias atrás @maryeanna acaba de ganhar uma moldura exclusiva, "Yaoi Addicted". Parabéns! Por favor, informe sua ID :) #nyahcerca de 3 dias atrás
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