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Capítulo 22
Fio de esperança
Niver da Fic! @______________@ MUITO obrigado para todos que acompanharam durante esse um ano! Diminuir < Tamanho do Texto > Aumentar
Seb fitava o chão vagamente, na esperança de que alguém atendesse quando a porta do banheiro enfim se abriu. Pierre apareceu, com o peito descoberto, mas Seb tivera o cuidado de fechar as janelas. Parecia muito confuso, o que realmente acontece quando se está muito doente e acima de tudo com muita febre, que o amolecia. Seb socorreu-o pelos ombros e sentou-o mais uma vez sobre a cama. A camareira parecia confusa ao vê-lo solicitar o remédio para febre e o que ajudaria na cicatrização e limpeza das costas de Pierre. Seb tivera aberto somente uma fresta da porta, por mais que soubesse que ninguém veria Pierre assentado na cama. - Está tudo bem, Sr. Lefebvre? – perguntou a jovem, preocupada. - Está... – respondeu com uma voz que se prendeu no início da fala, que ajudava além do rosto pálido e triste, não disfarçar a verdade. – Obrigado. Seb voltou-se para o quarto novamente, mas Pierre não estava no lugar onde o deixara. Seb largou as coisas sobre a cama, apressou-se para a porta do banheiro, pode ver Pierre pressionando o estômago, após vomitar. Estava com o rosto cheio de lágrimas quando Seb o envolveu e o trouxe para perto do corpo. - Tudo bem, levante-se. Pierre obedeceu, um tanto automático, como se aquilo estivesse soando como mais uma ameaça. Seb o ergueu, foram até a pia, Pierre bochechou a água e limpou a boca. Enxugou-a com a toalha e aproveitou a para apagar as lágrimas. Tornaram a se dirigir para a cama, Pierre ficou encostado no arco, gemendo, enquanto observava Seb pingando o remédio de febre em uma dosagem maior do que a natural em um copo. Pierre o viu abrir o frigobar logo ao lado dele e misturar com um pouco de água. Pierre tomou o copo nas mãos, virou-lhe depressa, com as mãos vibrando ainda, desesperado por tomar uma gota d’água... mas tremia tanto que o copo escorregou-se e espatifou-se. Soltou um lamento de vergonha, tampando o rosto com as mãos. Ouviu Seb abrir o frigobar e tornar a colocar água em um novo copo. Pierre estava precisando tomar água antes de qualquer coisa. - Pierre, pare com isso e venha aqui. – ordenou-o Seb, agarrando um dos seus pulsos, o fazendo erguer a cabeça. Seb levou o copo aos lábios dele. Pierre pegou-o, mais firme daquela vez, sentindo a água gelada descendo na garganta... era uma sensação tão boa... a água estava tão boa... muito diferente das quentes que era obrigado a tomar. Sentiu o corpo agradecendo... suspirou apoiando o copo no joelho. Seb recolheu-o, pingou o remédio de febre e devolveu-o para Pierre, que tomou e logo após mais alguns copos d’água para recompor-se, eliminado o gosto de remédio. Pierre olhou de esguelha para o guitarrista. - Está tudo bem? Pierre o olhou nos olhos e disse: - Obrigado, Seb. Muito mesmo. Pensei ter ouvido duas pessoas passando por lá, mas se quer tiveram a curiosidade de olhar o que eu era... - Não agradeça à mim. Agradeça ao Pikles. O cachorrinho latiu, pulando em frente deles, histérico como sempre. Pierre se deu conta que suas costas ardiam muito. - Deite-se. – disse Seb, ao vê-lo tentar passar a mão em um que se destacava ao doer mais do que os outros, na altura dos ombros. – Vou passar o remédio para não infectar e te trazer mais problemas.
Pierre afundou-se na cama de lençóis brancos, fofos e quentes de barriga para baixo. Seb foi e voltou do banheiro com um saco de algodões em bolas e derramou o cicatrizante sobre uma das bolas e limpou um arranhão que quase perfurava Pierre de tão profundo. - O que é isso? – perguntou a ele, em voz baixa. - Me golpearam com uma corda... tinham nós... – informou Pierre, com voz rouca. Seb limpou os arranhões cuidadosamente durante vários minutos. Os dois aguardavam os mistos quentes e o remédio para febre, em silêncio absoluto, pois ambos estavam se sentindo muito mal. Seb terminou de passar o remédio, se levantando e colocando o remédio sobre a cabeceira e em seguida puxando as cobertas para cima de Pierre, que ficou agradecido, sentido-se confortável e aquecido. Seb pegou o celular, já tinha tentado ligar para casa milhares de vezes e ninguém atendia a sua chamada. Enquanto o telefone chamava, Seb colocou a mão sobre a testa de Pierre, o sentindo com febre. - Estão me ignorando. – concluiu, em um suspiro pesado e triste, fechando o celular e o colocando sobre o frigobar. - Pare de dizer isso, Seb, eles gostam muito de você. – consolou Pierre, em voz baixa. - Você não entende... eu perdi a cabeça com o Chuck quando você desapareceu... culpei ele de ter sido o responsável pelo seu seqüestro... você não sabe muita coisa do que tem acontecido. – disse se ajoelhando perto da cama, olhando bem para os seus olhos vermelhos e inchados. - Sério? – perguntou rouco. - Infelizmente... mas agora acabou... – disse sorrindo – Vai voltar para casa amanhã... seguro, sem ninguém que possa te machucar. Pierre suspirou, sentindo-se aliviado por saber que realmente voltaria para casa. - Que dia é hoje, Seb? – perguntou ele. - Aah... – disse conferindo no relógio – Três de maio... - Nossa... já? Daqui a pouco será meu aniversário então... Seb formou um leve sorriso nos lábios, passando a mão entre os cabelos do amigo. - Seu velho. – brincou ele. - Muito engraçado. – respondeu ele. Os dois ficaram se olhando, sentindo-se confortáveis um com a presença do outro. - Vai fazer três meses que ele morreu, Seb... David. O último assunto que ele queria discutir. - Ah... Pierre... - Já sei... só quero visitar o túmulo dele um dia desses, sabe? Para poder falar o que está acontecendo... Houve uma batida na porta, Seb se levantou e abriu-a. Recebeu da garçonete o remédio e os mistos, que cheiravam, fazendo o estômago de Pierre roncar ao vê-los. - Hora de atacar! – anunciou ele, enquanto Pierre se erguia, faminto. Eram quatro mistos, distribuídos igualmente em dois pratos, com ketchups e mostardas em saches nas beiradas. Seb entregou um terceiro para Pierre. - Toma, coma a vontade. Depois de três sanduíches (e mais uma mordida no de Seb) Pierre dormia um pouco inquieto pela febre, mas em paz. Seb tinha nas mãos uma lata de suco de manga, observando o amigo, feliz, tranqüilo com sua consciência. Virou o resto do suco, tornou a ajoelhar-se perto de Pierre, acariciando o rosto dele, como se ele fosse uma espécie de irmão. Tinha que admitir que morria de ciúmes da sua grande relação com David, ainda mais agora, que ele deixava tão claro seus sentimentos. Ele nunca iria deixar de gostar de David e ele iria ser insubstituível para Pierre, que não fazia a menor idéia do que estava acontecendo direito e Seb, que também não imagina o que aconteceu com os outros. Seb pegou o celular, se assentando ao lado da cama, e tentou falar mais algumas vezes em casa, sem sucesso. Então, já que não o atendiam e já que não faziam idéia de onde ele estava, ele pegou o telefone do hotel, mesmo sabendo que estava abusando um pouco, e discou o número de casa. Daquela vez, a resposta foi imediata: - Alô? A voz de Chuck era trêmula, parecia estar extremamente cansado e triste. Seb não sabia se falava agora que o escutava, já que estavam o evitando. - Alô? Por favor... por favor se você estiver com o Pierre não o machuque, pelo amor de Deus, deixe o rapaz!... Ele chorava. Parecia estar desesperado com aquilo há alguns minutos atrás, o que fez Seb comover-se. - Chuck... é o Seb... Houve silêncio, Chuck chorava, mas parecia querer esconder. Seb ouviu a seguinte pergunta seca: - O que você quer? Pra quê você está me ligando? - Chuck, o que está acontecendo? – perguntou ele, sinceramente preocupado. - Estou com depressão... entrando no nono dia de desaparecimento de um dos meus melhores amigos... falando com quem me acusou de ter seqüestrado ele! - Chuck, desculpe, eu... - Desculpa?! Se você tivesse ficado em casa, Pierre nunca teria desaparecido! Você estaria aqui e o apoiaria! Ele sumiu! Têm oito dias, só depois de oito dias é que você nos liga?! O que você quer?! Eu só sei que ele deve estar amarrado, amordaçado, vendado, sendo agredido por um maluco qualquer! - Chuck... ele está comigo. Eu o encontrei, nas margens do lago perto de Montreal, estava amarrado mesmo... ele está doente, ferido... preciso da sua ajuda e ele precisa de você. Está do meu lado. Dormindo como uma criança. Houve silêncio, mas depois ele ouviu Chuck tornar a chorar. - Pare de me machucar! Por favor, me deixa em paz... - Chuck! Me escute, não desligue o telefone! Ele está comigo... acredite em mim... venha para cá, ele precisa de você mais do que nunca... estou naquele hotel que passamos sempre quando voltamos do aeroporto, um pequeno, lembra? - Seb, você está mentindo! – gritou ele pelo outro lado. - Chuck, eu estou falando sério, eu juro que é verdade! Houve silêncio. O telefone começou a emitir sons mudos contínuos, indicando que Chuck desligara o telefone. Seb meteu o dele no gancho também, com fúria, o batendo com força na cabeceira. Pikles latiu, Seb olhou com ele com cara de quem iria matá-lo. O cachorrinho correu para debaixo da cama.
Vestiu-se rápido, entre lágrimas descontroladas, apanhou as chaves do carro, sem pensar nem um segundo se quer... abriu a porta do quarto. Chegou a beira das escadas, parou de chofre, sentindo a cabeça rodopiar, as pernas ficarem moles... - CHUCK! Você está louco?! Jeff o agarrou à tempo. Há menos de vinte minutos, tinha desmaiado novamente, dessa vez de tanta tristeza e pressão. Jeff fora buscar um copo de água, que ficou para trás, espatifado no corredor, que agora ecoava também os passos apressados de Fergie, Pat e Peter. Jeff o sentou no primeiro degrau, o segurando firme pelos braços, enquanto ele tremia. - O que aconteceu?! – perguntou Fergie, preocupada, fechando melhor seu roupão branco, bordado com lindos lírios. - Ele o encontrou! – sussurrou Chuck, com lágrimas nos olhos. Os outros o olharam, espantados. Ultimamente, não estava sendo muito convincente falar com ele, já que sofria de pesadelos terríveis, que sempre acabava confundindo com a realidade. - Tem que voltar para cama, Chuck... – disse Pat, solidário. - Por favor, acreditem em mim! Os outros se olharam, menos Jeff, que estava sendo tão fiel ao amigo. Ele suspirou e disse-lhe: - A última ligação foi engano, Chuck, estava mudo... - Não! Não, Jeff, era o Seb! Jeff ficou vermelho como nunca de fúria. Pat apressou-se: - Foi um sonho. Acho melhor você dormir, para passar essa tensão toda, temos mais um dia amanhã... - Seb o achou! Está com ele! Jeff, por favor... - Vou te levar para a cama. – disse o amigo, frio para ele – Agora. Jeff o levantou, Chuck fraco demais para resistir... - NÃO! JEFF ME ESCUTE! Ele olhou para o amigo, como se implorasse. Jeff continuava a pressioná-lo com força os braços, mas o olhava com atenção. - Seb o achou, Jeff... - Sebastien é um canalha! – gritou Jeff para ele – Ele nos deixou! Deixou Pierre doente e drogado, nos traiu, não conseguiu cumprir as próprias palavras! Pierre está há nove dias seqüestrado, ele liga para te ferir dizendo uma coisa tão estúpida, sabendo que você também está doente por culpa dele! - Não estou doente! – gritou Chuck, insultado. - O que você está então?! Eles se encararam, com uma frieza cortante, mas logo Chuck desistiu de enfrentá-lo, sabia muito bem que Jeff estava certo, ele simplesmente não tinha mais forças para continuar sofrendo com aquilo tudo... mas, assim mesmo, precisava convencer os amigos de que Seb encontrara Pierre... - Escute, Chuck: pode ter sido mais um golpe contra você, está bem? Eles quererem te machucar, fazê-lo pior do que já está... e se for aquele maluco de novo? Pode te machucar... - Eu sei que não sou mais uma criança! – exclamou Chuck. – Não precisa de me tratar desse jeito, como se eu tivesse sete anos! Fizeram mais silêncio, Chuck ainda com revolta. Acabou deixando se levar também, assim com Seb e o próprio Pierre. Mas sua cabeça ainda trabalhava nas palavras ditas a ele à pouco tempo. - Tenho certeza que era o Seb! – disse para Jeff. – Se ao menos não está com o Pierre... pelo ou menos vai voltar para casa com a gente... confio nele, como confio em você, Jeff, e ele vai nos ajudar, tenho certeza, estamos mais dependentes uns dos outros do que imaginamos... mas ele jurou que estava com o Pierre, temos que confiar nele, assim como ele confiou, de um jeito ou de outro, em nós para cuidar do Jeff estava com muita raiva de Seb, desde a noite do desaparecimento do outro amigo. Acontecia é que ele estava se sentindo solitário, Chuck perdeu o controle de si mesmo, ele agüentou quatro separações horríveis... primeiro David, depois Pierre, depois Seb e enfim Chuck. Era praticamente o único que sobrou, ainda que seus esforços tentassem sustentar Chuck, em quem confiava mais do que nunca depois de dois meses. Considerava Seb um traidor depois de ter os abandonado, praticamente, fazendo com que passassem por aquilo tudo sem ele, que era um grande amigo há tantos anos, desde que, juntos, fundaram o Simple Plan. Nunca imaginou ele saindo de casa, jogando os males e angústias em suas costas. Mas, no fundo, ele ainda acreditava em Seb. Como sempre fora... todos eram unidos demais para dizer que ainda não se gostavam. Jeff suspirou, olhando Chuck ainda. E concordou com a cabeça... não havia muito o que fazer, precisavam de ajuda. Chuck suspirou, feliz e o abraçou. Peter estava boquiaberto, para ele Jeff tinha ódio de Sebastien, o que realmente vinha demonstrando. Fergie olhou para Pat, que estava com um leve sorriso, vendo os dois se abraçando. Ela, em um suspirou anunciou: - Vamos nos arrumar então. Prometo que não demoro. Até parece.
Seb estava cochilando, com a cabeça pendurada no pescoço, balançando levemente, assentado no mesmo lugar desde que ligara para casa. As luzes continuavam acessas, Pierre dormia junto dele. Houve uma batida na porta, Seb acordou desorientado e confuso. As batidas eram constantes e insistentes, ele se perguntou quem era o idiota que o acordara, fechando a cara enquanto se levantava, e que estava prestes a cortar o sono de Pierre também. Deu uma olhada debaixo da cama, Pikles dormia enrolado em si mesmo. Ele se dirigia para o corredorzinho que ligava-se ao quarto, esfregando os olhos. Destrancou a chave, a maçaneta girou sozinha, Seb arregalou os olhos, vendo a porta vindo em um encontro desesperado com seu nariz, recuou para trás, a porta bateu na parede. Ainda meio confuso, viu Chuck, mal acreditou que ele estava diante dele. - Onde ele está?! – perguntou ele apressado. - Ali... – indicou Seb, apontando para as costas. Acompanhou Chuck em sua curta corrida até o final do corredor, mas colidiu-se com ele que parou de chofre ao ver Pierre... Estava dormindo, deitado de bruços, com a testa molhada com alguns pingos de suor. O cobertor o envolvia até a cintura, mostrando os arranhões profundos em suas costas. Chuck tremia e agora, enfim, depois de insistentes lágrimas de tristeza, algumas de emoção, alivio e felicidade rolavam em seu rosto. - Pierre! – exclamou num sussurro. Hey! Que tal deixar um comentário na história? Não dói e faz bem ao coração do autor :) Para isto, cadastre-se ou entre em sua conta! |
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Parabéns @Kitsune_kuroi, você é a nova sorteada para receber a moldura exclusiva, "Yaoi Addicted"! Informe sua ID :)cerca de 2 dias atrás É uma pena, mas @maryeanna não respondeu e portanto sortearemos outra pessoa para ganhar a nova moldura exclusiva, "Yaoi Addicted" #nyahcerca de 2 dias atrás @maryeanna acaba de ganhar uma moldura exclusiva, "Yaoi Addicted". Parabéns! Por favor, informe sua ID :) #nyahcerca de 3 dias atrás
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