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Capítulo 21
"Seb?..."
Hm, vocês irão me matar, mas esse é meu capítulo preferido. Diminuir < Tamanho do Texto > Aumentar Oito. Oito dias. A cidade de Montreal brilhava à trinta metros de distância enquanto ele estava sentado a beira de um lago sujo aonde boiavam latinhas de Coca-Cola, garrafas pet, uma enorme quantidade de canudinhos, sacos de supermercado cheios de lixo. Uma bolinha de pêlo no seu colo tentava inutilmente roer seu dedo, na verdade, estava sendo muito gostoso sentir as gengivas da única companhia que tivera até aquele momento, Pikles, um poodle. Estava em estado de choque até agora, não sabia o que sentia além de choque, horror e ódio de quem tinha seqüestrado seu amigo. Sentia-se descontrolado, às vezes acabava tento um ataque de nervos por estar sozinho, sem poder fazer nada, sem poder sequer consolar Chuck. Era assim que Seb se sentia. Suas nádegas pareciam estar quadradas agora que percebera, pois o chão de concreto estava frio, a noite viera mais rápido naquele dia. Olhou para baixo, o cachorrinho, indescritivelmente fofo, o olhava com seus olhos negros brilhando, de barriguinha para cima. Seu pêlo era muito enrolado, o que o fazia parecer a criatura mais linda do universo. Seb tinha encontrado o cachorrinho em uma caixa num beco abandonado nos arredores da cidade, próximo ao hotel. Ele o levou para lá e sem ter idéia para um nome para a criaturinha. Mas, mais tarde, pediu um sanduíche e a telefonista perguntou-o se o queria com picles ou sem. E assim ficou. Falando em hotel, Seb estava praticamente morando lá, com uma dívida enorme para o dono. O cachorrinho agora lambia seus dedos. Seb acariciou sua barriga, dando um sorriso leve muito forçado. Ele pegou o cachorrinho e o colocou com as patas no chão e pediu para que ele desse uma volta. Ele latiu esganiçado e contente, ao mesmo tempo em que deu um pulinho, e saiu correndo. Seb o observou até ele sumir de vista na noite. Ele tornou a olhar a cidade, juntou as mãos no colo e se lembrou do que tinha falado com Chuck pela última vez. Ele estava envergonhado de si mesmo, queria pedir desculpas, fizera aquilo por nervosismo, nunca culparia algum de seus melhores amigos por esse fato tão banal. Ele estava em pânico, preocupado demais e nem conseguia medir as próprias atitudes, mas os outros nunca o perdoariam, por isso nem tentou ligar ou pedir alguma informação a eles. Ter apoio de quem ele gostava lhe fazia falta. Todos tão preocupados com Jeff e Chuck, e ele sendo considerado quem tinha os abandonado. E sim, ele admitia-se isso, tinha desistido de ver todo aquele sofrimento o trazendo para baixo, inegavelmente. Mas deixou de batalhar, tudo poderia estar melhor se ele tivesse ficado... ou voltado para casa quando Gerard disse que Pierre estava se drogando. Suspirou, colocando as mãos no rosto. Alguns minutos depois, ele ouviu latidos rápidos e urgentes vindos de suas costas. Se virou e olhou para Pikles. - Hm? – perguntou para o cachorro. Ele latia como nunca, parecia uma máquina prestes a se autodestruir. - Quê? – perguntou Seb novamente. Ele prendeu a barra da calça do dono entre as gengivas ainda latindo e puxando insistentemente. Seb se levantou, enquanto ele já corria em disparada para a mesma direção em que tomara mais cedo. Andava despreocupado, enquanto ele continuava a dar pulinhos a cada latido. Seb ficou entediado quando já tinham andado seis minutos, foi quando Pikles virou-se para a direita, descendo uma escada de madeira gasta e podre, na qual Seb teve realmente muito medo de descer, pois a cada rangido, os degraus pareciam querer se partir ao meio, fazendo com que ele acabasse se espatifando no chão. Ele saltou os dois últimos degraus, enfiando os pés na lama, pois uma chuva forte tinha acabado de cair, e fez uma careta só de inalar o ar, que estava podre, o deixando com enjôo. Não havia luz nenhuma, somente na calçada acima dele, estava muito escuro. Pikles continuava a latir, seu latido ecoava no lugar. - Afinal, o que você quer? – perguntou Seb para ele, tentando localizá-lo na noite. O cachorrinho pulava com as patas dianteiras no lago sujíssimo, Seb sentiu os cabelos da nuca arrepiarem quando pensou no trabalho que daria para lavar. Mas ele tentou enxergar o motivo que os levara ali. Mas ele não via nada além de uma pedra, lixo e todas as coisas possíveis, vistas de perto agora. - Ah, vamos embora. – disse ele num suspiro, se ajoelhando para pegá-lo. Ele latia histericamente, como se sua vida dependesse de latir e estourar os tímpanos de Sebastien. - Shhh! – fez ele. – Calado! Mas de nada adiantava. - É uma pedra, cachorro idiota! Ele latiu mais que nunca agora. Seb suspirou, forçou a vista mais uma vez, em direção a outra margem do pequeno lago. Era um vulto alto e estreito, que, para a surpresa de Seb, tremia descontroladamente. Ou então era simplesmente as águas ondeando no lago, devido ao cortante vento, refletindo na pedra o luar claro. Mas Pikles insistia tanto, que Seb começou a ficar nervoso. - Fica quieto! – exclamou para o cachorro, com raiva. Determinado, puxou a barra das calças, e começou a se aproximar do vulto. Quanto mais perto, mais seu coração palpitava dentro do peito, sentia cada vez mais uma gota de suor de nervoso aparecendo. Então, ao enfim poder ver o vulto... Ficou paralisado. Chocado, começou a tremer, sentiu lágrimas em seus olhos, não acreditava no que via... abriu a boca, sem muita sorte se a intenção era de produzir algum som de pavor, mas quanto sua voz finalmente voltou à realidade, era de eterno choque e compaixão: - Pierre! Pierre estava deitado de lado no chão áspero, suas costas traziam arranhões descomunalmente horríveis, que sangravam vivamente. Seus pulsos arranhados, sua face comprimida contra o vômito dele mesmo. Escorria uma boa quantidade de sua boca, a venda pressionada contra seus olhos que derramavam insistentes lágrimas de pavor. Estava tremendo de frio e fome. Estava sem camisa, suas calças estavam abertas e um pouco mais baixas que o normal, estava sujo de sangue e tinha um cheiro forte de urina, mas Seb não o culpava... Ele caiu de joelhos na margem do lago, em um soluço, as lágrimas já rolavam em sua face. - Pierre...? Pierre, você está bem?! – sussurrou ele em desespero. Seb rolou o amigo para seu colo, fazendo Pierre estremecer. Ele tirou a venda. Pierre franziu a testa, ainda não adaptado a poder enxergar, mas assim que o focou, ainda que com uma certa dificuldade, disse baixinho: - Seb...? – gemeu ele com dificuldade através da mordaça. - Sou eu... você está seguro agora... está comigo... Pierre soltou um lamento. Seb o segurava com um dos braços e com o outro, começou a desfazer a mordaça. Um nó cego estava o prendendo com muita força e Seb conseguiu, enfim, desfazê-lo. Tirou o pano de cima e logo depois o pano que infestava sua boca. Tirou-o com cuidado, deixando-o cair no lago. Seb preparou-se para limpar os lábios e o rosto de Pierre, mas ele gemeu: - Não... Seb teimou em limpá-lo, retirando todo o vômito do rosto do amigo. Ele não poderia resistir, seria uma das últimas coisas que Seb admitiria era fazê-lo sentir-se inferior a ele. Seb o trouxe para mais perto e Pierre deitou a cabeça em seu ombro, chorando alto. Seb concentrou-se agora em desfazer o da corda que o prendia. A pele irritada de Pierre sangrava. O nó estava firme demais e não conseguia desfazê-lo. Quebrou uma garrafa próxima, recolheu um caco de vidro maior e passou nela repetidamente até cortá-la e o som de seu impacto na água chegar aos seus ouvidos. Seb o abraçou com força, os dois chorando muito, mal acreditando que fosse verdade um milagre como aquele. -Meu Deus, Pierre!... – gemeu Seb apavorado, enquanto lágrimas escorriam em seu rosto. – Nosso Pierre! O que fizeram com você?! Ficaram abraçados por minutos longos e prazerosos, um momento de segurança e carinho. Pierre se virou rápido, quase escapando dos braços de Seb e vomitou. O amigo percebeu como ele estava gelado, passando mal... Tinham esquecido do mundo por alguns instantes. Seb arrastou-se junto dele até alcançarem a outra margem, delimitada por uma parede de concreto. Escorou-o. - S-seb... você vai me deix-ar...? – gemeu ele, com lágrimas nos olhos. - Não, nunca! – protestou ele. – Eu vou cuidar de você. Seb tirou o casaco e uma blusa branca, sobreposta sobre a de mangas compridas azul que vestia. Jogou o casaco no ombro e se aproximou de Pierre. Limpou com a camisa o seu rosto, agora, clareado pela luz forte do luar cheio, estava marcado com hematomas enormes, roxos berrantes, abaixo dos dois olhos, na testa, no lado esquerdo do queixo e no canto direito da boca, que sangrava levemente. Havia um corte mais largo e profundo em sua bochecha direita. Pequenos cortes o cobriam inteiramente. Passou a blusa branca em suas costas. - Aaah...! – gemeu Pierre, desesperado. - Que...? – sussurrou Seb, com lágrimas nos olhos. - Minhas costas estão doendo... meu peito... Ele estava todo marcado com arranhões, golpes impetuosos formavam roxos descomunais em seu peito. - Desculpe, Pie... – murmurou Seb, como se implorasse. O ajudou a vestir o casaco quente, fechando o zíper e colocando o capuz. Pierre estava quase tendo um desmaio, tremia muito. Seb aconchegou-o e encostou o rosto de Pierre contra seu corpo, para ele se sentir confortável, até conseguir se levantar, pois sabia muito bem que ele não iria conseguir. Seu rosto estava ardente de uma febre muito alta. Pierre, com as mãos trêmulas, tentava fechar, sem muito sucesso, a calça. - Eu fecho. – anunciou Seb, tocando suas mãos. Ele fechou, olhou para Pierre, deitado em seu colo, tão indefeso. - Por que sua calça está aberta, Pierre? Pierre não se conteve, chorou ainda mais, sem dizer uma palavra se quer. - Pierre, o que foi?... – perguntou ele. – O que aconteceu? Está tudo bem... - Seb... me leve para casa, eu imploro... só quero voltar para casa... - Olha... – sussurrou Seb para ele – Estamos muito longe de casa... meu hotel é aqui perto, vou levar você para lá e cuidar de você... você está muito mal, mais do que imagina... Perguntou-se se realmente estava ligado ainda à realidade. Via o céu girar sobre ele, o fazendo ficar tonto. As feridas ardiam como nunca, o torturando... estava com frio, sentia as águas gélidas empoçando sua calça. Fome, apesar do gosto de vômito na boca. Mas sentia Seb o segurando. Sentia o coração dele palpitar e ouvia sua respiração ofegante devido ao contato de seu rosto no peito dele. Ele estava sujo. Repugnante, ninguém se daria ao trabalho de cair de joelhos para tirá-lo dali além de alguém que gostasse mesmo dele... como Seb... aqueles olhos azuis profundos que lhe traziam segurança... ele estava demasiado de cansado, sentiu os olhos profundos, querendo que ele ficasse confortável. - Estou fraco... – murmurou ele para o amigo. Fechou lentamente os olhos, contra sua vontade, mas ficou atento ao que Seb fazia. Ainda tremia descontrolado. Seb passou um dos braços debaixo de suas pernas e o ergueu do lago. Pierre sentiu a friagem, a água escorreu de suas barras jeans encharcadas. - Vem, Pikles. – falou Seb baixo para o cachorro. O cão seguiu em direção às escadas, a água pingava durante o caminho. Seb subiu as escadas bambas, logo foram iluminados por um poste que era circundado por espécies de libélulas de luz em pouca quantidade. Seb caminhou sustentando o amigo, incapaz de se quer erguer-se para ajudá-lo. Avançaram na rua, perto de um depósito fechado há vários anos, sendo o lugar praticamente abandonado. Pierre agarrava-se no pescoço dele, numa tentativa para aliviá-lo de uma futura dor nas costas. Andaram mais poucos minutos, até Seb pegar as chaves no bolso e Pierre ouvir o alarme apitar. O carro de Seb era o maior de todos, como já sabia o vocalista, então, sua parte traseira trazia uma porta de correr, que Seb abriu. Sentou Pierre na ponta, deixando-o apoiar no banco confortável. Deixou-o, de olhos ainda fechados e pegou as cobertas que estavam no banco traseiro, pois trouxera caso as do hotel não fossem suficientemente boas. Seb passou por Pierre, assentado à beira, trazendo um edredom grosso e um travesseiro mais fino. Cobriu o banco com o que tinha em mãos. Logo depois puxou de leve seus ombros, o fazendo deitar. Pierre encolheu as pernas, engolindo seco. Queria poder fazer algo mais. Pikles subiu no carro junto deles. - Acalme-se. – pediu Seb para ele, passando a mão em seu braço para aquecê-lo. – Vai tudo ficar bem. Vou cuidar de você. Pierre formou água nos olhos. Sentia-se horrível, apesar de todo o conforto e ajuda de Seb. Sentia-se mal por estar deitado, sujando o carro dele. O guitarrista jogou uma coberta sobre ele. Pierre estava gélido e com frio. Seb afagou-o com força, mas a tremedeira ainda o sacudia. Pierre chorava, humilhando-se, pensando em coisas horríveis que Seb poderia deduzir... Sentiu as luzes da cidade atravessando suas pálpebras ao mesmo tempo em que sentia as voltas do asfalto dentro do carro, que sacudiu com leveza até chegarem às costas da entrada principal do hotel. Seb pegou Pierre no colo outra vez e se dirigiu a porta dos fundos, vazia. Esperava que ninguém visse Pierre naquele estado, decidira que a forma mais segura seria entrar pela parte de funcionários. Com sorte, chegaram sem serem vistos por ninguém e adentraram o quarto, com um aroma comum entre os quartos de hotel que estavam automatizados a entrar a pretexto de turnês. Seb o assentou sobre o vaso sanitário, observando à luz as marcas em Pierre. Seb atravessou a porta, pedindo para que Pierre permanecesse ali, enquanto ele foi pegar uma de suas calças e uma peça íntima para ele. Ao voltar, Seb trancou a porta para certificar-se que ninguém entraria, deixou as roupas sobre a pia e se ajoelhou. Tocou o peito ofegante de Pierre, abriu o zíper e tirou seu casaco. Sebastien jogou o casaco atrás da porta, para depois poder pegá-lo e providenciar uma limpeza e voltou-se para o amigo. Seus dedos desenharam as feridas, enquanto Pierre ficava em silêncio, amedrontado, olhando para um ponto indefinido para baixo. Os dedos se entrelaçavam aflitamente em seu colo, Seb pôde reparar que havia múltiplos cortes profundos em seus pulsos, como quem quisesse agoniá-lo cortando-os bem próximo a fatalidade. Não poderia ter sido Pierre, ele estava amarrado e com certeza aquilo eram vestígios de lâmina. - Tire sua calça, a deixe num canto e vamos tirar esse sangue de você. – pediu Seb para ele. – Vou preparar uma água quente. Pierre concordou, enquanto Seb se virou e abriu o vidro do box. Abriu suficientemente as torneiras, de modo que a água ficasse mais quente do que fria. Colocou a mão e sentiu-a na medida planejada. Virou-se, Pierre entrou de cueca no box. Sentiu a água caindo sobre as feridas. Arderam incondicionalmente fazendo Pierre gemer de dor. Ele estava gelado, precisava daquela água quente o envolvendo... Seb tirou os tênis e entrou com Pierre, encolhendo as mangas da blusa. O sangue infestou o chão, Pierre suspirou de dor mais uma vez. Seb aproveitou a água que escorria e limpou as costas dele com a mão, tirando o sangue seco de suas costas. Pierre lavava o rosto, molhado e se misturando com lágrimas. Seb ficou um bom tempo com ele, sendo que não falaram uma palavra se quer. A presença já os satisfazia. - A toalha está aqui, se lave melhor. – disse Seb, por fim, com um nó na garganta que quase o impediu de falar. Seb saiu, fechando a porta, sentindo o quarto mais arejado tomá-lo. Pierre. Tinha o encontrado. Naquele estado. Amarrado, tão trêmulo, indefeso. Afastou esses pensamentos quando sentiu as narinas coçarem, indicando um acesso de choro. Tomou providências ao tomar o telefone pedir um remédio para febre, outro cicatrizante e misto-quentes para Pierre, especialmente, via telefone. Depois ligou para um lugar que nunca se atrevera, por meio de celular: sua casa. Ficou sentado ali minutos a fio, ouvindo o chamado constante, mas nunca respondido. Hey! Que tal deixar um comentário na história? 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@maryeanna acaba de ganhar uma moldura exclusiva, "Yaoi Addicted". Parabéns! Por favor, informe sua ID :) #nyahcerca de 8 horas atrás Responda: "Qual seu site de fanfiction favorito?" e concorra a uma moldura exclusiva: http://twitpic.com/17r1b6 #nyahcerca de 1 dia atrás O estoque de molduras é atualizado todo dia 1, enquanto o dia não chega, que tal uma moldura exclusiva? #nyahcerca de 1 dia atrás
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