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Capítulo 17
Fidelidade à prova
Diminuir < Tamanho do Texto > Aumentar Ao acordar, algumas horas depois, Chuck estava envolvido por confortáveis lençóis brancos, deitado em uma cama. Parecia uma sala da clínica, assim como a de Pierre. Sentado a cadeira posta ao lado direito da cama, estava Jeff, com olhos muito vermelhos. Ao longe ele ouvia murmúrios preocupados. Jeff colocou a mão em seu ombro, aquilo podia ser um apoio. Nunca Chuck se sentiu tão próximo de Jeff. Ele retribuiu com um olhar cheio de dor e preocupação. - Vai dar tudo certo, Chuck. – sussurrou para ele. Ele concordou vagamente, sentindo os olhos coçando, voltando a formar lágrimas... Elas não demoraram a reaparecer em sua face, junto de um lamento angustiado. Pat apareceu por cima de Jeff, com um sorriso compreensivo. - Você precisa relaxar, está bem? Tente não pensar nisso, o caso está sendo investigado, a polícia de Montreal está vasculhado tudo, vamos achá-lo. - Quem faria isso? – sussurrou Chuck. - Não sabemos. – disse Jeff. Ele suspirou, olhando para o lado, tentando ver a porta, onde havia policiais tampando a entrada. - Repórteres... estão nos ajudando a divulgar o que aconteceu. – informou Pat. - CHUCK! Eles se viraram. Chuck se ergueu da cama, preocupado. Alguém empurrou os policiais, que o permitiram entrar. Ele parecia nervoso. - PENSEI QUE MINHA VIDA NÃO PUDESSE FICAR PIOR! OLHA O QUÊ ACONTECEU! VOCÊ O DEIXOU AQUI E ELE SE REVOLTOU DE NOVO?! QUE EU SAIBA, VOCÊ NUNCA VEIO AQUI! E NO MÍNIMO ELE DEVE TER PLANEJADO O PRÓPRIO SEQÜESTRO, VOCÊ É TÃO IDIOTA CHUCK! Era Seb. - CALA ESSA BOCA! – gritou Pat para ele – Você deixou ele e Jeff sozinhos durante mais de um mês, mesmo sabendo a situação de Pierre! Você não pode culpar o Chuck, ele foi quem mais ajudou Pierre nessa história toda! Seb parecia ter levado um certo susto ao vê-lo. - Você também não deve se manifestar, Pat! – advertiu Seb – Você nem se quer veio o enterro do David! Só apareceu depois, não foi?! - Ele não tinha condições de vir! –disse Jeff, arredando a cadeira para o lado, ameaçador. – Você não soube pelo que nós três passamos! Chuck foi pressionado pela mídia durante quase duas horas um dia desses, Gerard está de cadeira de rodas, você não ligou para o que ele disse! Agora você vem culpar o Chuck?! Ele é o mais corajoso de todos nós, Seb! Ele foi o único que soube enfrentar a situação, por mais que tardiamente enquanto você se escondia! Onde você está afinal?! - Não importa! A culpa é dele, deixou tudo ir longe demais, eu avisei que o Pierre estava doente! - E ainda assim nos deixou! – soluçou Chuck, na cama – Você não foi honesto com a gente! Ele se drogou e você nem veio ajudar! Gerard arriscou a própria vida! É o que pensei que faríamos uns pelos outros, assim como David faria pelo Pierre agora! Chuck chorava, Jeff e Pat encaravam Seb com raiva. - Você devia ter chamado a clínica ao invés de deixar Gerard ir! – exclamou ele. – Você devia ter dado mais atenção para o Pierre! Ele estava aqui sozinho e agora ele pode estar com uma arma no meio da cabeça dele, se já não estiver morto! - NÃO DIGA ISSO! - urrou Chuck, apavorado. - Saia daqui, Seb! – ordenou Jeff – Nos deixe em paz, Pierre voltará para casa, são e salvo, e não vai precisar de sua ajuda, como nós não precisamos mais! - ÓTIMO! – gritou ele – Só não esqueçam que ele queria ser enterrado do lado do David! Seb virou-se e saiu. Chuck não havia parado de chorar e agora não iria parar mesmo... tinham acabado de vez com a pouca relação que tinham... - SEB! – gritou ele, se levantando – ESPERA! Jeff e Pat o seguraram quando ele se sentiu tonto. - Deixe-o ir, Chuck, ele é um covarde! – disse Jeff para ele, o sentando novamente na cama. - Estamos errados! – disse ele, preocupado – Devíamos ter dado atenção para ele... ele está certo... - Culpar você por ter sido o responsável pelo seqüestro do Pierre?! Não, Chuck, ele está errado, nos abandonou quando mais precisávamos dele! Chuck se controlou para não voltar a chorar. Fechou os olhos firmemente. Pat e Jeff se olharam. Jeff se assentou ao lado de Chuck, segurando sua mão. - Vai dar tudo certo, Chuck. Ele concordou com a cabeça, mesmo sabendo que não seria tudo tão fácil. Ele reabriu os olhos, olhando para Jeff. - O que eu faria sem você, Jeff? Ele sorriu e o abraçou. Pat sorriu para os dois. Nunca tinha visto os dois tão unidos. Após se separarem, Chuck tinha lágrimas nos olhos. - Agüente firme, amigo. – aconselhou Jeff – Tudo vai dar certo. Quero que você fique com isso. Ele lhe entregou a corrente de Pierre, que estava com o fecho estragado. - Pierre confiaria a corrente a somente você depois do David, você sabe. Tinha sido uma promessa. Pierre, logo após ganhar a corrente de David como presente depois da morte de seus respectivos pais lhe disse: “Se eu a perder e você encontrá-la, saberei que estou nas mãos de quem eu confio. Eu não posso deixar com o David por que quero que ela signifique nós dois em pontos diferentes, mas um só.”. - Obrigado, Jeff. Estaria perdido sem você.
- Espera, Billie! Você está doido?! Está?! Adrienne gritava para ele, enquanto ele ligava para seu empresário, pedindo um jato com urgência. Ele bateu o telefone no gancho, furioso e gritou para a mulher: - Você não entende?! Pierre foi seqüestrado, quero estar o quanto antes em Montreal! - Você está na Califórnia, longe de chegar lá hoje! Você tem dois filhos, você tem uma mulher preocupada, não pode simplesmente dizer, de uma hora para outra, que vai voar para o Canadá! - Eu faço isso todas as semanas! – explodiu ele, com vontade de estrangular a repórter que dizia na televisão que Pierre foi terrivelmente agredido, e o câmera que filmava o lugar. - Billie, olha só o seu nariz! – alertou a mulher. - Ele estava drogado! A situação é completamente diferente, alguém o seqüestrou, e quem seja o filho da mãe, seqüestrou o rapaz mais famoso do mundo! E MEU AMIGO! - Billie! Você não pode ir! - Mas eu vou Adrienne! E sem medo! Ele a abandou na sala de televisão, cruzou o saguão principal e começou a subir as escadas. - Você está fora de si, Billie Joe! Além disso, você passou um mês longe de nós por causa dele, voltou com um hematoma gigante no rosto! – gritou a mulher para ele, o seguindo pela escada. – Você viajou para a Inglaterra sem me falar! E COM A FERGIE! - Eu já disse que ela quis me acompanhar, eu não queria ter ido com ela e muito menos com o discurso sobre a importância dos sapatos! – disse ele, tremendo só de pensar. Billie abriu a porta do quarto, arrancou camisas das gavetas, calças dos cabides. - Billie, não há rotas traçadas para aviões particulares tão rápido, pode acontecer um acidente, fico com medo! Ele não deu ouvidos, enfiava uma escova de cabelo na mala. Fechou-a, rapidamente, e deu as costas para a mulher. Foi para a sala de estudos, abrindo a porta com violência, assustando o filho mais velho, Joseph, que fazia um trabalho para a faculdade de advocacia. - O quê está acontecendo?! – perguntou ele, se virando, mostrando a camisa escrita “I”, símbolo do American Idiot, “Green Day”. - Pierre foi vítima de seqüestro! – explodiu Billie, que só faltava soltar fumaçinha pela cabeça para se dizer que estava descontroladamente furioso. - Oh, God! – exclamou seu filho, fechando a página que pesquisava e entrando em outra, de notícias. - E O SEU PAI, IDIOTA COMO SEMPRE, QUER IR PARA O CANADÁ! – gritou Adrienne. - E sua mãe, chata como sempre... – ele enfiou um livro na mala - ...quer que eu fique parado! - É só mais um escândalo ridículo! - NÃO DIGA BOBAGENS! Não foi você que o viu! Nenhum dos quatro, Adrienne! Billie encarou a esposa. Deixou a mala cair diante seus pés e sussurrou: - Você acha que um seqüestro é ridículo? Você acha que ameaças são ridículas? Eu nunca imaginei que essas palavras fossem sair da sua boca, Adrienne! Nunca! Não se esqueça de que a última vítima de seqüestro aqui foi ele! – disse apontando o filho, que ficou pálido. - Pare de dizer essas coisas horríveis para mim, Bill! – gritou a esposa. – Não misture a nossa família, o nosso filho, com os seus amigos! - Você se lembra do seqüestrador, hem? “Vamos matá-lo, Adrienne e nada que você faça poderá impedir!” – recitou ele, gritando, fazendo a esposa se desmanchar em lágrimas e Joseph ficar mudo, chocado. – Quando você retomar a consciência do que é ter alguém próximo a você seqüestrado, diga-me, talvez eu volte a olhar para você! Billie abriu a porta, com a cabeça latejando, sentindo-se completamente desorientado por lembrar daquela fala. Determinado, entrou no quarto mais uma vez, abriu a gaveta do criado-mudo com violência e pegou o passaporte. Checou se o visto para o Canadá ainda era válido, agradeceu ao vê-lo nas normas corretas. Pegou a mala, enquanto colocava o passaporte no bolso da camisa. - Billie, por favor! – exclamou a mulher, indo ao seu encontro. – Por favor, eu te amo, eu não quero que nada aconteça a você... - Você se importa ainda? – respondeu com aspereza. – Não imaginava. Billie se direcionou as escadas, fervilhando. Ela não sabia o quanto a amizade de Pierre era importante e ainda mais tudo o que ele tinha passado e todo o acompanhamento que ele fizera com Pierre. Ele não podia deixar de estar lá, ao lado de Chuck e Jeff, não agora... - Eu não posso deixá-lo ir! – gritou a mulher. - Adrienne, DEIXE-ME EM PAZ! - Billie e se algo acontecer com você?! Billie pare de me ignorar! Mas ele não deu ouvidos. Direcionou-se para a escada, agora determinado. Estava quase chegando quando Adrienne tomou-o pelo pulso, firme e com força. Ela encarou os olhos verdes do marido. Queria murmurar algo que fosse convencê-lo de permanecer... - Adrienne... – sussurrou ele com ódio. - Eu te amo, entenda... – gemeu ela. – Billie... por favor, Billie... - Me escute aqui! – retrucou, tomando-a pelo pulso, só que com muito mais força, fazendo a gemer – Eu já te falei o que vou fazer e nada que você faça vai me impedir de estar em Montreal esta noite! - Pai! – protestou Joseph, indo em direção aos dois – Pai, escute a mamãe, ela tem razão... - Eu não esperei dias para que Tré e Mike estivessem ao meu lado, Joseph! – riu-se ele para o filho. – Você estava longe de mim e meus melhores amigos perto de mim. - Papai... é diferente... você está longe de Montreal, você se quer está no Canadá... – tentou convencê-lo. - Vocês não sabem o que houve com o Pierre e não vou ficar aqui, ouviram?! A situação dele é delicada! – ele empurrou Adrienne, que cambaleou para trás e foi segurada às pressas pelo filho. – Esperar aqui, no conforto de minha casa? Não, porque ele está em situação bem pior do que eu e ele é só um homem inocente! Eu vou para Montreal e voltarei assim que for viável, vocês já estão completamente acostumados com minhas turnês! - Mas suas turnês não são inesperadas! – gritou Adrienne, voltando a agarrá-lo pela blusa – Billie... nos escute! Billie desvencilhou-se. Recuou um passo para trás. Torceu o tornozelo, sentiu o vácuo em suas costas. - NÃO, BILLIE! – berrou a esposa. Billie Joe perdeu o equilíbrio. Sentiu as costas baterem nos degraus da escada, sua cabeça contra outro degrau. Estava desorientado. Estava tonto, sua visão muito turva. A porta de casa estava diante seus olhos. Estava caído, sentiu o sangue fervilhando do canto de sua boca. - PAI! – gritou Joseph em algum lugar distante. – Pai?! A voz dele ecoou em sua cabeça várias vezes, Logo Adrienne o tinha nos braços, ele a olhando, com dificuldade para enfocá-la. Joseph pairou sobre ele também por alguns segundos, até ele fechar os olhos.
- Tudo bem, Billie, relaxe. – disse Mike, em tom de conselho do outro lado da linha. – Eu falo para os outros que você não pode vir. - Me sinto estúpido! – exclamou ele, alto, para a mulher que estava do outro lado do quarto o ouvir – Pierre seqüestrado e eu sentado em uma cama! - Podia ter sido algo mais grave e os rapazes vão entender. Não perca a cabeça, principalmente por que você está tonto. - Eu tenho que ir vê-los! – exclamou, angustiado ao telefone – Imagine como o Chuck deve estar... - Eu vou ligar quando chegar e te darei informações, mas se cuide, Billie, nada de fugir a noite. E Tré está comigo, disse que te deseja melhoras. - Eu agradeço. Não se esqueça de dizer que eu queria ajudar. - Confie em mim, não vou esquecer. Bye. - Bye... Ele desligou o telefone e o recolocou no gancho, no criado-mudo à sua esquerda. O quarto era de um tom vinho mais escuro, iluminado pelos lustres de parede, que projetavam um “V” de cor amarelada. Billie estava escorado no travesseiro contra a parede, coberto por um cobertor da cor das paredes com flores delicadamente bordadas com linha dourada. Adrienne o olhava, sentada na beirada oposta da cama. Eles ficaram muitos minutos sem se quer se olharem. Ela suspirou e disse: - Precisa de alguma coisa? Ele sentiu-se com raiva, queria ficar sozinho, tentando imaginar quem faria isso com seu grande amigo, era isso o que ele queria! Ficar longe dela por um tempo, para poder pensar... - Billie, nunca vai conseguir encontrar uma pessoa suspeita, há tanta gente que faria isso... – suspirou a mulher, se virando para ele, com se lesse sua mente. - Tanta gente? – perguntou, secamente – Aposto que foi um maníaco querendo dinheiro novamente! Isso me deixa preocupado! Lembra? - Eu nem gosto de me lembrar disso... – lamentou ela, encolhendo os ombros. - Adrienne... agora não pode estar sendo pior para nós... lembro muito bem quando aquele canalha pegou Joseph e nos roubou quase um milhão, mas agora quem está em jogo é Pierre, é o próprio Pierre! Imagine onde ele deve estar! Eu só não quero deixar de apoiar os outros garotos para não deixá-los como nós estávamos quando nosso filho esteve seqüestrado também, entende? - Mas você não pode ir mais! – disse para ele, se levantando, nervosa – Você tem que se recuperar... Ela estava se sentindo culpada quando lhe disse aquilo, via que tinha o machucado... - Desculpe, Billie. – disse ela timidamente. Ele a olhou com cara de quem era muito mal, mas logo abriu um sorriso para a esposa e disse: - Você só quer o meu bem. Não precisa pedir desculpas por isso, eu te amo.
- ... então, podemos concluir que ele provavelmente resistiu. – explicou o policial aos dez ao seu redor. - Mas havia muito sangue! – exclamou Chuck, desesperado. - O seqüestrador o golpeou, deve ter levado desacordado... – analisou o policial. - Joel... estou passando mal... – disse Hilary. - Tem três semanas que você diz a mesma coisa! E está sempre vomitando, não acha que devia procurar um médico?! - Eu tenho pavor de sangue!... – gemeu ela Chuck estava ficando cada vez mais desesperado, tinham se passado cinco horas e nada, absolutamente nada... Jeff também estava nervoso, sentado ao seu lado, sem dizer muita coisa. - Normalmente o interesse de um seqüestrador dessa categoria é financeiro. – continuou o policial. – As quantia cobradas são altas... - Não queremos saber se ele vai querer um bilhão de dólares! – exclamou Pat, furioso – Só queremos ver Pierre salvo! Ele está com depressão, não comeu nada desde o almoço e deve estar amarrado em um fim de mundo... - Só queremos ele de volta! – soluçou Chuck, voltando a chorar pela sétima vez desde a partida de Seb. – Só queremos que ele volte a sorrir e se sinta bem... Fergie não agüentou. Vê-lo chorar a deprimia. Ela foi até ele e o abraçou. - Calma, Chuck, calma... - Eu darei tudo o que ele pedir!... Só quero vê-lo bem!... - Temos que aguardar, Chuck, o seqüestrador, quem é que seja, não vai deixar barato... Está com Pierre Bouvier em mãos. – disse Peter com seriedade. - Afinal, por que ele está demorando tanto?! – perguntou Chuck, que continuava a soluçar. - Não soltamos um pássaro que entrou na gaiola há cinco segundos atrás se podemos tirar proveito. – afirmou Joel, em tom compreensivo – Quando raptaram o filho de Billie, demoraram dois dias para soltarem o garoto. - O que Pierre fez para merecer tanta desgraça?! – gritou Chuck, em um soluço, fazendo os olhos de Fergie se encherem de lágrimas também. Eles ficaram em silêncio, olhando uns para os outros, com o espírito se desgastando por dentro ao ver Chuck. Com certeza, depois de Pierre, ele era quem mais sofria com a situação. Jeff escondeu o rosto nas mãos, em um gemido. Pat colocou a mão em seu ombro o apertando firme, enquanto mordia os lábios. Fergie olhou para Will.i.am, procurando apoio. Mas ele apenas suspirou... não havia jeito: teriam que esperar até que Pierre voltasse... Hey! Que tal deixar um comentário na história? Não dói e faz bem ao coração do autor :) Para isto, cadastre-se ou entre em sua conta! |
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