|
Capítulo 16
De mal a pior
Diminuir < Tamanho do Texto > Aumentar - AAAI! Páára! Tá doendo! - Tá... muito... embaraçado! David estava começando a ficar com dor de cabeça. Anna passava o pente nos cabelos dele, que estavam muito desidratados, assim como o dela, que nunca estiveram piores na vida. - Aii! – exclamou David de novo. - Estou tentando te ajudar, quer ficar quieto?! - Tá doendo! E eu estou quieto! Anna desembaraçou e pronto. David se levantou passando a mão nos cabelos. Sua cabeça é que doía... - Aii... – gemeu ele. - Você devia pentear melhor seu cabelo para não ficar sendo torturado desse jeito. – afirmou Anna, que jogou o pente para dentro da mochila encostada ao pé de uma árvore. - Quê? Eu penteio ele! Olha só! Meu cabelo está horrível mesmo: primeiro ele estava cheio de gordura, depois ficamos viajando uns três dias parando para comprar um almoço num restaurante a beira da estrada e nem tomamos banho direito! Só agora que paramos! E olha o lugar aonde vamos tomar banho! - ele apontou para a cachoeira natural que caia. – Frio e sem privacidade! - Você não tirou sua roupa toda, né? Esse povo aí é fã seu e vai adorar tirar uma foto sua! - Acho que você estava afim de fazer isso! - CALA ESSA BOCA! – exclamou ela imediatamente. David riu. - Tá... até parece que você não iria gostar... - Você é meu amigo, qual é, eu não faria uma coisa dessas! - Aah, então, você é minha amiga agora? Anna parou quando iria dizer alguma coisa, ficou de boca aberta. - Graças a Deus, eu já estava achando que você não me achava legal. Anna sorriu. - Imagine como você irá ficar famosa quando chegarmos lá... Anna Clara Peixoto... Quem ajudou David Desrosiers voltar para casa e a na volta do Simple Plan... Quantos fãs você vai ter, hem? - Fãs... até parece... - A volta do Simple Plan aconteceu por sua causa, ora... - ¡Personas! Vamos comer alguma coisa! Pilar era ridícula. Isso é o que Anna pensava dela e David também. Ela era linda, inteligente mas morria de inveja da amizade quase colorida de Anna e David. Ela estava com um sorrisinho tosco como sempre, quando os via juntos. - Obrigado, Pilar. – agradeceu David categoricamente. Anna e ele riram. - Que humor negro... – disse Anna para ele. - É, você não sabe de nada... meu humor com os rapazes é erótico... - Nem começa! – interrompeu-a quando ele abriu a boca. - Não, escuta: uma vez eu e o Pierre estávamos na turnê do segundo CD e ele estava meio gripado e disse que me beijaria se ele não estivesse doente... - Você é seguro da sua sexualidade, David? - Para ser sincero... sei lá. Ele olhou para ela com um sorriso malvado. - Estou brincando, eu nunca fui gay, acredite... mas sou doido, tome cuidado. Ela fez um aceno negativo com a cabeça. - Vamos, David... Anna se virou, caminhou seguindo Pilar, que torcia os cabelos já no final do corredor de árvores que cercavam a cachoeira. Anna quebrava gravetos a cada vez que dava um passo. A noite estava fria e as nuvens azuis bem escuras tampavam um pouco da lua crescente. Anna afagou os braços, tentando se esquentar. - Está com frio? – perguntou David para ela, assim que a alcançou. Ele tirou o casaco e colocou nas costas dela. Por um momento, houve um troca de olhares significativa entre os dois. Ficaram parados um tempo, se olhando. - Aaah... faz muito frio no Canadá, então... eu já me acostumei com temperaturas mais baixas... – disse David lentamente. - Ah... Lá da frente, Pilar se virou para vê-los. Não era possível que David emprestara o casaco para ela... - ¡HOLAAA! Vocês não vão vir comer alguma coisa?! Anna e David pararam de se olhar, viraram para o lado, meio constrangidos. Não sabiam se fora uma atitude estúpida ficarem se encarando, ou uma atitude quase natural chamada amor... David não sabia o que era, ele estava com medo de acabar se envolvendo em algo que não lhe traria um futuro bom... ela era apenas... sua amiga e fã. Ele nem sabia o que o levou a olhar-lhe nos olhos, nem sabia por que emprestou o casaco para ela... - Venham logo! – gritou Pilar. - Lá vai a chata nos irritar de novo. – disse David com um doce sorriso. - Pois é... There you go... always so right… it’s all a big show… - cantou ela, sorrindo para David. Ele endireitou o casaco nos ombros dela, que baixou a cabeça com o rosto muito vermelho. Ele estendeu a mão. Anna a olhou por um tempo e se virou para o lado, recomeçando a andar. David acompanhou-a até juntar-se aos outros, perto da grande fogueira que esquentava o jantar oficialmente aprovado por todos feito por Izabela. Assim que ficou pronto, David juntou-se ao caldeirão que ameaçava a despencar e começou a colocar sua sopa na tigela. Pilar se ajoelhou ao seu lado e disse: -Ela não sente o que você sente por ela, David, mas eu sim. Acho que você não devia mais perder o seu tempo, me entende? Ainda mais. Eu o faria esquecer as mágoas e as coisas terríveis que você tem passado. Inicialmente, sim, David definitivamente tinha se sentido atraído por ela. Até descobrir que suas frescuras, seus ataques de nervos, convencimentos não eram nem um pouco normais. Teve mais certeza de que ela não era boa pessoa quando ela recusou-se a ler o jornal para ele numa manhã. David negou com a cabeça e se afastou. Sentou-se ao lado de Anna e terminaram o jantar juntos. Um pouco depois, quando o céu negro parecia ter escurecido ainda mais e as estrelas brilhavam como nunca, David murmurou: - Tenho que te falar uma coisa. Anna ergueu o olhar, intrigada. - Estou escondendo isso tem muito tempo de você, mas acho que já foi tempo o suficiente. Olhe. David ergueu a manga da blusa e mostrou-lhe o verso do cotovelo. Anna analisou, passando a mão nos furos que estavam lá, o marcando e algumas cicatrizes. - Não havia isso até eu chegar aqui. – disse David para ela. – O que é? - São drogas. Alguém te drogou. Várias doses e muito pesadas... você deve ter dormido umas quatorze horas no mínimo, as drogas devem ter queimado seus neurônios que guardavam lembranças e é por isso que não se lembra de nada. É o que eu posso arriscar, David. Eu não me formei completamente para te assegurar isso. - Não, está tudo bem. – disse ele, a olhando nos olhos. – É óbvio que eu fui seqüestrado, não? Alguém me trouxe até aqui para que alguma coisa acontecesse. E eu não sei o que é e talvez devêssemos nos preocu... - Lionel. – a voz de Jack era alta e firme – O David não está com cara de defunto para você ficar olhando para ele, se é o que você está pensando. - Não é nada demais, Jack. Mas eu costumo gostar de escutar algumas histórias fantásticas de um maluco e da amiginha que acredita em tudo o que ele fala. David levantou-se com tanta velocidade quanto Lionel e Jack. David chutou uma das lenhas que sustentavam o caldeirão sobre o fogo, fazendo a sopa espalhar-se. - Não é você que está passando pelo o que eu estou! – gritou David para ele – Você não passa de um homem que se acha o forte, o mandão! Você é um homem que não faz idéia do que é amar alguém, não é? Está aqui, eu não sei para que e debocha e quer que todos pensem que eu sou uma farsa. Você é filho da mãe, Lionel. Acorde. Lionel (que era bem mais forte e maior que David) lhe deu um soco no nariz, o fazendo cair no chão, urrando de dor. - DAVID! Anna caiu de joelhos ao seu lado, pelo ou menos foi o que David imaginou, ele estava zonzo, a cabeça doía, o nariz nem se fala... Ele deixou-a envolvê-lo com os braços, e deitar a cabeça dele em seu ombro esquerdo. Estava todo borrado de sangue. Camila, Izabela e Julie gritavam, enquanto Jack, que estava furioso o continha. David estava com a mão no nariz, Anna pegou sua mão que tinha ficado fechada de dor sobre o chão. - FIQUE LONGE DELA! – berrou Jack para ele – SE CONTROLE HOMEM! - Você não sabe o que diz! – gritou Lionel para David, que estava com a camisa verde encharcada de sangue que respingava de seu nariz. - Ninguém sabe nada sobre você, como você quer que façamos coisas boas para você se não sabemos nada?! – gritou Margareth. – Conte-nos alguma coisa! - Vocês não precisam saber! – disse, se avermelhando. – Chega, me deixem em paz, sozinho! Eu nem sei como estou suportando vocês! Principalmente você, que se finge ser David Desrosiers! - EU SOU DAVID DESROSIERS! – gritou ele. - Idiota... ninguém aqui acredita em você... o que ela vai fazer com você é matá-lo quando tiver uma oportunidade! – disse apontando Anna. - Anna não faria isso! – exclamaram Jack e David juntos. - Chega! – gritou Jack – Diga mais alguma coisa e você está banido do grupo entendeu?! Todos passaram o olhar de David e Anna para Lionel. Lionel desistiu, se afastou em direção a van estacionada na estrada deserta. David se assentou, limpando o nariz, com raiva de Lionel por ofender Anna. Ele tentou focalizar o fogo que crepitava diante. Passaram-se só sete minutos e ele levara um soco, desvendou um mistério e quase foi forçado a beijar Pilar... - Venha aqui, David. – a voz de Margareth soou à sua direita. – Vamos limpar isso. David sentiu Anna e Margareth o levantando. Eles cruzaram o corredor que dava para a cachoeira, que ficava cada vez mais próxima, pois o barulho da água caindo era cada vez maior. Ele se assentou bem próximo ao chão e Anna o ajudou a se deitar, escorado em uma pedra cheia de liquens que provavelmente mancharia ainda mais sua blusa nova. - Que homem... – resmungou Margareth, com raiva, entregando algo branco para Anna. Logo ele sentiu um pano úmido limpando delicadamente seu rosto. Anna tomou muito cuidado quando limpou seu nariz, evitando machucá-lo por causa do piercing. Quando a visão de David voltou a normalidade, ele viu Anna, que tinha os olhos docemente o focando. - Tudo bem? – perguntou ela à David. Ele concordou vagamente com a cabeça. Na verdade, estava com o coração explodindo fogos de artifício, que salpicavam o céu negro, o colorindo, fazendo com que as pessoas sorrissem para o céu... Ele, definitivamente, estava apaixonado...
Pierre foi dormir quase uma da madrugada no dia anterior para que o tempo passasse mais rápido e para que ele fosse para a casa o mais rápido possível também. Mas, para sua infelicidade, ele acabou acordando às sete horas. Seu estômago dava voltas de nervosismo e de felicidade, só de pensar que logo estaria em casa, deitado em sua cama quentinha, comendo alguns sushis se tivesse sorte... E voltaria a ver o Jeff. Quanto aos outros, Pierre acabava se sentindo chateado. Pat estaria em casa, ele sabia que iria se armar uma briga ou coisa assim e ele não reveria Seb nem tão cedo. Ele colocou a mão por debaixo da camisa, retirando sua corrente e limpando cuidadosamente as escrituras desenhadas, lembrando-se de David. A primeira coisa que ele faria seria entrar no quarto dele e se relembrar de momentos que passou com ele. Mas estava disposto a fazer aquilo com muita calma, sem apavorar os amigos, para variar... a porta se abriu e ele ergueu a cabeça. A enfermeira que se chamava Beth, trazia sua mochila, bem cheia e aparentemente pesada. - Toma... – ofegou ela. – Tem algumas coisas aqui, o seu amigo Chuck pediu que te entregassem... Pierre se levantou e pegou-a, tomando um grande susto para após, a mochila cair no chão. - O que o Chuck colocou aqui?! – perguntou ele, erguendo a mochila, pensando que David provavelmente teria terminado com as suas costas, que ultimamente tinha lhe trazido muitos problemas. - Sei lá, amigo, mas ele pediu que você desse uma olhada e mandou dizer que o vidro é espelhado para dentro. Pierre enrugou o cenho, mas pegou a mochila e colocou-a pesadamente sobre a cama desarrumada. A enfermeira tornou a trancá-lo, ele odiava aquilo, e voltou a atenção para a mochila. Pierre a abriu. Logo ele viu um bilhete. Ele o abriu e leu:
Querido Pierre,
Infelizmente não vou poder te buscar durante a tarde. Estávamos reformando o vidro do seu quarto e o cara disse que o vidro não vai chegar antes das três horas e eu, Jeff e Pat queremos que você fique bem quando chegar aqui em casa. Bem, vou estar aí a noite, vista a roupa que estou lhe mandando, vou te levar para comer uns sushis. Estou te mandando um café da manhã descente, já que você emagreceu uns cinqüenta quilos... engorde tudo de novo com as três barras de chocolate que estou te mandando, aproveite o joguinho para você acertar as argolinhas também.
Abraços, Seu mais lindo amigo, Chuck.
Ps: a zebra ainda fala!
- Vai catar coquinho! Você é um horror! – riu ele, mais feliz do que nunca. Ele tirou as roupas da mochila, pegou as barras de chocolate, o joguinho e a zebra e se deitou na cama cantando uma música sem sentido que escrevera uma vez quando estava bêbado.
Chuck corria com o carro por Montreal, iluminada pelos postes. Ele cantarolava, feliz. Nunca estivera tão feliz, nem Pat lhe fizera tão feliz desde a morte de David, o mundo parecia ter se iluminado como a cidade... - E então, vocês dois estão nervosos? – perguntou Pat para ele e Jeff. - De jeito nenhum... – disse Jeff, com um sorriso, por mais que estivesse sendo sarcástico. - Eu nem acredito que Pierre vai voltar para casa! – exclamou Chuck. – O que vocês acham? - É demais... mas não sei qual será a reação dele quando ele me vir. – analisou Pat. - Ele deve estar feliz demais para brigar com você – disse Jeff, se virando para ele no banco de trás. - Verdade, Pat. – concordou Chuck. – Mas, no mais, vocês acham que ele vai querer ir para o restaurante? - Não sei... – disse Jeff, pensativo. – Mas se não, nada que o telefone e que o ímã de geladeira não façam por nós. Enfim chegaram, os quarenta minutos desde casa até o lugar pareceram mais quarenta milênios. Eles pararam na rua, estavam ansiosos demais para se lembrarem que existia uma subida para carros. Eles subiram a escadaria longa. Quando chegaram, Chuck soltou um berro de pavor. Pat e Jeff gemeram ao seu lado, visualizando a cena... a casa térrea que antes era revestida com vidro agora eram somente armações, o vidro estava espatifado no chão, parecia ter acontecido uma guerra ali... - DROGA!- gritou Jeff, acompanhado Chuck e Pat, que correram em direção a Clínica. Eles chegaram, pisoteando os cacos de vidro espalhados pelo saguão de mármore. O saguão principal estava cheio de soluços e de gritos dos parentes e de amigos que tinham vindo visitar pessoas internadas, por mais que fossem poucas. O saguão era branco, se erguia majestosamente em um círculo, com arcos de estilo romano antigo que emolduravam as passagens para o interior do aposento. Bem no fundo da sala, havia uma recepção, onde a atendente da clínica chorava, apavorada e cheia de sangue. Jeff correu até ela para confortá-la. Havia outras pessoas que gritavam... - Precisamos de ligar para a polícia! – disse Pat, que ajudava uma mulher entre soluços, com uma mão horrivelmente torcida – Chuck! Chuck?! Mas ele corria longe dali... nunca se lembrara de ter corrido tanto, a tensão queimava seus neurônios agoniados... Ele derrapou virando um corredor a direita, tropeçou o atravessando e tornou a tomar a direita. Ele automaticamente correu até a sala de Pierre... Ele não acreditou quando viu a pesada porta aberta, com a chave em sua tranca... Ele adentrou o aposento... a cama estava desarrumada, todos os cobertores jogados no chão, um deles manchado de sangue... a mochila de Pierre estava rasgada, as coisas que Chuck tinha lhe enviado mais cedo no chão... Chuck começou a balançar a cabeça negativamente, com lágrimas nos olhos... - Não... NÃO!! NÃO, POR FAVOR, NÃÃÃO!! Ele bateu os joelhos no chão duro, tentando procurá-lo entre os lençóis... Não, não, aquilo não poderia estar acontecendo... Chuck se desfazia em lágrimas e em soluços, em pânico... o que tinha acontecido? Ao lançar mais um lençol ao ar, ele ouviu um baque metálico... ao olhar para baixo, ofegante, ele viu a corrente fina e dourada, com as escrituras bem traçadas, arrebentada... pegou-a, com as mãos trêmulas... - Oh my God... PIERREE, NOOOO!! - CHUCK! Pat e Jeff chegaram em um deslize virando na porta do quarto… Jeff ficou chocado, nem sabia o que fazer, mas Pat logo caiu de joelhos ao lado de Chuck, que agora chorava descontrolado. - Seqüestram ele!... – gemeu Chuck. – Seqüestram o Pierre, Jeff!... Por que alguém faria isso?! POR QUÊ?! Por favor, que isso seja mentira! Eu não posso acreditar!... Mas ele olhou a corrente em suas mãos... Pierre nunca viveria sem ela... Ele soluçou de novo, Pat o abraçou, meio abalado, também não querendo acreditar... Chuck mirava a corrente, que brilhava em suas mãos, lágrimas saltaram de seus olhos o fazendo ver embaçado... ele não conseguia acreditar... para onde teriam o levado? O que estariam fazendo com ele? Chuck não conseguia mais pensar, amoleceu nos braços de Pat, desmaiado. Hey! Que tal deixar um comentário na história? Não dói e faz bem ao coração do autor :) Para isto, cadastre-se ou entre em sua conta! |
Login
Rádio Blast!
Categorias
Twitter
@maryeanna acaba de ganhar uma moldura exclusiva, "Yaoi Addicted". Parabéns! Por favor, informe sua ID :) #nyahcerca de 8 horas atrás Responda: "Qual seu site de fanfiction favorito?" e concorra a uma moldura exclusiva: http://twitpic.com/17r1b6 #nyahcerca de 1 dia atrás O estoque de molduras é atualizado todo dia 1, enquanto o dia não chega, que tal uma moldura exclusiva? #nyahcerca de 1 dia atrás
|