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Capítulo 14
Correto ou Inevitável?
Diminuir < Tamanho do Texto > Aumentar - NÃO! NÃO, CHUCK, NÃO DEIXEM QUE ELES FAÇAM ISSO COMIGO! CHUCK! CHUCK, EU NÃO QUIS! EU NÃO QUERIA MACHUCAR O GERARD! EU NUNCA O MACHUCARIA! NÃÃÃÃO! NO, NÃO DEIXE ELES ME LEVAREM! Chuck chorava... chorava como nunca tinha chorado na vida, seu coração corroia-se ao ver Pierre gritando daquela maneira com ele, mas era o certo... ele não podia conviver mais com Pierre naquele estado, se não tomasse atitude teria que passar a conviver com ele além de doente, drogado... não podia... - É para o seu bem! – gritou ele. - VOCÊ ESTÁ ME TRANCANDO NUMA CLÍNICA! ISSO NÃO É BOM! VOCÊ ESTÁ DE BRINCADEIRA?! ESTÃO ME ACHANDO LOUCO! OLHA! ESTOU NUMA CAMISA DE FORÇA! POR QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO ISSO, CHUCK?! - Pierre, desculpe, mas eu não posso deixar...! – soluçou o amigo. - EU NÃO QUERIA MACHUCÁ-LO! EU NÃO QUERIA, CHUCK! POR FAVOR, VOCÊ NÃO ESTÁ ME ENTENDENDO?! EU NÃO QUIS, FOI SEM QUERER! CHUCK! CHUUUCK, NÃO QUERO ME SEPARAR DE VOCÊ!! - Vamos, Chuck... – sussurrou Peter para ele, o virando, com as mãos em seu ombro. - CHUCK, NÃOO!! POR FAVOR, DAVE NÃO IRIA DEIXAR! FAÇA POR ELE! Chuck, soltou um lamento de pavor, entre os soluços histéricos... Peter, Joel e Jeff o levaram para casa novamente... - CHUUUCK!! NÃÃÃO!! POR QUE ESTÁ FAZENDO ISSO COMIGO?!! Lá de cima, ele deu uma última olhada em Pierre, que estava berrando, com lágrimas no rosto também, preso pela camisa de força e sendo empurrado para dentro de uma ambulância de uma clínica que o trataria das drogas... Peter fechou a porta, abafando os gritos de Pierre. Joel o guiava até o sofá mais próximo. - Fique calmo, amigo. – aconselhou ele, ao ajudá-lo a se assentar. – Ele ficará bom, você fez o certo... - Eu não queria ver Pierre nesse estado! – chorou ele - Nenhum de nós, mas... ele chegou em um ponto que não tinha mais jeito... Chuck escondeu o rosto nas mãos, chorando. Os três amigos se olharam, Jeff chorava também, estava chateado. Peter e Joel tinham corrido para lá assim que Jeff ligou para eles. Eram cinco da manhã, o dia estava frio e cinzento, sem vida... Jeff abraçou os ombros de Chuck, solidário... - Eu nem sei o que eu faria se você não estivesse comigo... – soluçou Chuck, ao sentir o amigo o abraçar. - Estaremos juntos para sempre, me ouviu? Até que isso acabe... Joel se aproximou de Peter num suspiro angustiado. - Temos que visitar o Gerard... – falou Joel baixo para Peter. - Ele vai visitá-lo, vamos esperar que se acalme. - Vamos para cozinha trazer alguma coisa para eles. Eles foram, marchando lentos. Joel se sentia mal, a dor em sua cabeça era insuportável. Ele deixara Hilary sozinha na cama e não tivera tempo de avisá-la da saída. Pete também não estava bem, passou a mão no nariz, comprimindo a dor de ter que ver Chuck e Jeff daquele jeito imaginar que Gerard estava internado em estado grave. Nem Jeff, nem Chuck conseguiram unir coragem de ir para o hospital com Gerard. E Chuck passara a noite toda acordado, sentado a porta do quarto de Pierre, enquanto o ouvia implorar para que o deixasse sair. Jeff avisara a Mikey, irmão de Gerard. O My Chemical Romance ainda estava em Montreal e permaneceria ali por mais tempo. - Joel... você está bem? – perguntou Pete, vendo o amigo apertando os dedos contra os olhos. - Estou. – murmurou. – Bem... eu acho que estou... Pierre é para mim meu melhor amigo e eu deixei Hil sozinha no hotel, me sinto mal por isso... não consegui pensar depois de ouvir Jeff chorando ao telefone... e o Gerard... - Pare de pensar nele. – mandou-o pela centésima vez, pois eles tiveram que trocar de lugar para dirigir, pois mal avançaram um quarteirão e Joel atravessara um sinal vermelho. – Ele está melhor, você ouviu Mikey me falar. - Mikey estava chorando, foi isso que você me disse, Pete! – retrucou ele, profundamente chateado. - Então cale a boca e tente esquecer! – gritou para ele, fincando uma faca no queijo que estava partindo. – Joel, não é só você que está chateado, ouviu?!
Quatro horas depois, Chuck abriu a porta que daria para a sala onde Gerard estava. Ele entrou no aposento, foi recebido pelo olhar arrogante de Bob, o baterista do MCR. Ele engoliu seco, sentiu-se não bem vindo. - Pare com isso, Bob. – disse-lhe Gerard, com a voz baixa. Na verdade, não era para menos que ele estava com tanto ódio, talvez... Gerard estava deitado na cama, que estava mais ou menos inclinada, igual a de Pierre. Ele estava pálido, seus cabelos ressaltavam ainda mais seu rosto branco. Sua testa estava com exatamente seis pontos, seus braços estavam com ferimentos do vidro que o machucara. Bob passou por Chuck, bateu a porta as suas costas. Ele ficou encabulado. - Não se preocupe, ele não sabe o que faz quando ignora você, Chuck. – sussurrou Gerard. Ele caminhou até o amigo, abatido. Estava com os olhos inchados e avermelhados e o olhava por cima de uma máscara de oxigênio. - Você está se sentido bem? – perguntou Chuck em voz baixa. - Estou bem... não precisa de se preocupar. Chuck suspirou. Sentia-se culpado... não devia ter deixado Gerard ir sozinho... - Pierre não teve culpa, Chuck... – falou para ele. – Ele não sabia o que estava fazendo... - E-e-eu... nem sei o que dizer... A sua voz soava fraca. Tão fraca e abafada pela máscara... ele reunia forças para dizer cada palavra para consolá-lo. Chuck sentiu as lágrimas ardendo no fundo dos seus olhos. - Você não teve culpa, nem Pierre... nem ninguém... entendeu? Eu fiz o que pensei que seria o melhor para ele, eu sei muito bem o que é estar na situação dele... onde ele está? Chuck segurou as lágrimas, engoliu seco e disse: - O mandei para uma clínica... para ele se tratar... se eu não fizesse nada... se eu não fizesse nada Pierre acabaria ficando pior!... Pior do que ele já está... - Você fez o certo. Pierre vai se curar, fique calmo. Bob está dando um de idiota, quero que você não ligue para ele. Ele não queria se envolver, como ele diz, “num escândalo inacabável e ridículo”... não é ridículo, Pierre perdeu tudo o que tinha, e ele vai ter que me enfrentar se quiser sair dessa, somos amigos, no final ele vai acabar ajudando. - Obrigado... Eles se olharam por um tempo. Gerard fechou os olhos lentamente, recuperando as forças. Um pouco depois ele tossiu e logo recuperou o fôlego, Chuck controlou-se ainda mais, cravando as unhas na beira da cama. - E sua perna, Gerard? – sussurrou baixinho. Gerard reabriu os olhos, concentrou-se por mais alguns segundos e disse, ainda baixo: - Eu a quebrei... em três lugares e meu joelho se deslocou para o lado. Já fiz uma operação, mas vou precisar fazer fisioterapia para poder voltar a andar... - Você não está andando...? – ele sussurrou, apavorado. - Está doendo, eu não consegui... tive que vir de cadeira de rodas, mas não quero que isso preocupe você... eu não entendo a gravidade... eu... simplesmente não sei, Mikey não quis me falar... mas é quase óbvio demais que eu devo ter quebrado todo o fêmur. - Mas não se preocupe, Chuck. – disse ele gentilmente, ao vê-lo olhá-lo com compaixão algum tempo depois. - Ele... ele não sabia o que estava fazendo... ele não queria... – gaguejou Chuck, entre lágrimas. - Não se preocupe. – repetiu ele, calmo. – Pare de chorar, não precisa gastar suas lágrimas comigo... - Ele nunca, nunca mataria você...! Ele... - ... estava drogado, eu sei, fique calmo, está bem? Gerard pegou a mão trêmula do amigo, com bastante dificuldade para orientar-se, até tocá-la. - Eu quero muito te ajudar, Chuck... vou ficar aqui até que vocês três estejam melhores e voltem a se relacionar melhor... esqueça o Seb, ele quer só causar mais sofrimento para você, está se achando o individualista. - Agora que ele não vai voltar mesmo... – fungou Chuck – Eu nem sei o que vão pensar do Pierre... drogado... a polícia vai procurá-lo! Vão prender o Pierre, ele vai ficar sozinho, doente, pode acabar tentando se suicidar de novo... - Você foi esperto, Chuck: mandou-o antes para uma clínica de tratamento... se você não tivesse feito nada, imagine o que estaria passando agora... siga meu conselho e fique o mais longe possível da mídia, se não vão pressioná-lo demais e você vai acabar entrando em uma depressão horrível. - OK... - Eu ficarei aqui um tempo fazendo fisioterapia e vou ir visitá-lo às vezes. E não se esqueça: eu vou estar sempre ao seu lado, independente do que vier...
Anna e David esticaram as pernas quando desceram no mesmo dia em uma cidadezinha no Mato Grosso. Ela era simples, o grupo estava cansado, tinham viajado quilômetros, não tinham parado até agora. E estavam famintos, os biscoitos comidos às sete da manhã não tinham ajudado, sem contar que já eram duas e meia da tarde. - Fooome... – gemeu Camila. - Já vamos comer, fofa. – disse Izabela para ela. - Ainda assim... foooome... Jack os levou para dentro da cidade. Enquanto caminhava, Anna percebeu David quieto demais. - Quê foi? – perguntou para ele. - Não sei... estou com um mal pressentimento. - Isso sempre acontece? - Não é comum. – disse sério. – Será que vendem jornais aqui? - Jornais? Você acha que aconteceu alguma coisa com o... - Pierre? Sim, tenho quase certeza. Hey, Jack! - Fale! – gritou ele lá da frente do grupo, já que ele e Anna estavam mais no final. - Preciso de comprar um jornal. - Compre. - Mas... eu acho que não tenho dinheiro para um jornal inteiro... - Então fique sem. - Mas preciso! - Compre! - Não tenho dinheiro! - Fique sem. David estava com raiva dele agora. Era importante, ora... - E não podemos parar se quer saber de uma coisa. Coma ou compre um jornal, Desrosiers. - Isso não é justo! Eu lhe paguei para comer durante a viagem! - Ache uma banca de uma vez e compre o que quiser e tente se especializar em português. Anna olhou David, ele parecia estar realmente preocupado. - Tá, vamos, eu traduzo para você. – disse Anna. - OK. Anna e David tinham se esquecido que tinham que achar uma banca, óbvio... - Vamos ver... ali... Eles dobraram uma esquina. - Caramba, isso é que é sorte. – disse Anna ao ver a banca. David fez cara de quem estava passando mal. - Estou achando que não devo ler... - Vamos ler David, pode ser algo importante. - Isso é o que me preocupa... Assim que Anna e David chegaram, praticamente todos os jornais vinham com o nome “Pierre” e “Gerard”. E “clínica”, que David rapidamente associou à... - Clinic?! - David... Anna odiava ter que contar para ele o que tinha acontecido, ela tinham lágrimas nos olhos, mal acreditava no que lia nas manchetes... - O quê está falando aqui?! - E-e-eu não posso te contar... - Você vai me contar! - E-e-eu... eu não posso! – ela não conseguiu conter as lágrimas. - Você está chorando? Você está chorando?! Me conte o que está acontecendo! O vendedor os observava com cara de quem achava os dois verdadeiros malucos. - Tell me! Tell me, please, Anna! - David… David eu não posso… Você... você vai ficar arrasado! Ele parou, sentindo o coração acelerado, querendo entender o português, querendo magicamente poder ler... - Anna... eu preciso saber... please... - E-e-e-eu não posso, eu não vou te contar... - Anna! – ele se enfureceu, a pegou firmes pelos braços – Me conte, agora! Anna soluçou... contou a David entre outros soluços o que tinha acontecido. Por um momento ela baixou a cabeça, com lágrimas descendo em sua face. David a soltou lentamente, estava literalmente chocado, não podia ser... - Não acredito... – sussurrou ele, com a voz de quem estava prestes a chorar. – Pierre está usando drogas...? Ele empurrou o Gerard...? - Eu não queria te machucar David, eu te disse... Ele saiu correndo, virando a esquina de onde tinham vindo. O vendedor a olhou. Anna o encarou também. Passou-se alguns segundos e ela gritou: - Dave! DAVE! Anna correu em direção a esquina. Parou derrapando, olhando para os lados, o procurando. - DAVID?! Ele não podia ter ido tão longe... As ruas desertas tornavam-se grandes labirintos... intermináveis... quase dez minutos depois, Anna ouviu soluços... sem dúvida eram de David... - David? David, onde você está? Anna avançava um quarteirão, mas parou. David estava escorado na parede de um beco entre duas casas. Estava apoiando os braços nas pernas, com a cabeça baixa, chorando, sem se importar com quem o ouvisse. Anna tocou o ombro dele, cautelosamente. Se ajoelhou, com a mão em seu ombro. - David... e-eu lamento... e-eu... Ele não respondeu, continuou chorando, fingindo que ela não existia. - David... Anna nunca fora uma pessoa que consolava bem, ela se odiava por isso. - Ele acha que eu estou morto...! – soluçou David por fim. – Eu quero que ele não faça mais bobagens... eu não quero perdê-lo... A situação era delicada... se Pierre morresse iria abandonar seu amigo, que na verdade estava longe dali... iria ser uma vida desperdiçada... um sacrifício em vão... - Pierre pode se matar... eu o perderei... eu quero voltar a vê-lo, eu não entendo o que está acontecendo comigo... afinal... o show foi em New York... estou no Brasil! Como...?! - Eu também não sei... mas juro que vamos chegar lá... e que você vai vê-lo de novo... eu te juro... David ergueu a cabeça, a olhou profundamente. - Você não pode jurar... Pierre pode morrer... pode se matar... - Eu juro que faço o possível... para chegarmos lá... e você o reverá... ele irá sorrir para você... e dizer que gosta muito de você... David recomeçou a chorar. Anna o abraçou, querendo confortá-lo ao menos. Não sabia se aquela atitude era bem vinda, mas era o máximo que ela podia fazer. - Eu não sei o que eu faria... – soluçou David - Se não tivesse encontrado você... Obrigado, Anna. Hey! Que tal deixar um comentário na história? 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@maryeanna acaba de ganhar uma moldura exclusiva, "Yaoi Addicted". Parabéns! Por favor, informe sua ID :) #nyahcerca de 1 dia atrás Responda: "Qual seu site de fanfiction favorito?" e concorra a uma moldura exclusiva: http://twitpic.com/17r1b6 #nyahcerca de 1 dia atrás O estoque de molduras é atualizado todo dia 1, enquanto o dia não chega, que tal uma moldura exclusiva? #nyahcerca de 1 dia atrás
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